Capital, aeroporto.
— Fernando, a gente não tinha combinado de voltar de carro?
Isabella carregava uma mochila e seguia atrás de Fernando.
Fernando caminhava a passos largos e, sem olhar para trás, respondeu: — O carro quebrou.
Demoraria mais de dez horas dirigindo, e ele não queria ficar sozinho no carro com Isabella por tanto tempo.
— Fernando, me espera.
Isabella era mais baixa que ele, e por mais que apressasse os passos, não conseguia acompanhá-lo, tropeçando e quase caindo enquanto arrastava a mala.
Só então Fernando parou, olhou para trás e pegou a mala das mãos dela: — O pessoal da sua casa veio te buscar?
— O Vovô Moraes e meus pais reservaram um lugar em um restaurante e organizaram um banquete de boas-vindas para nós. Pediram para eu ir junto com você.
Isabella olhou para ele surpresa: — Você não sabia?
Fernando franziu as sobrancelhas e balançou a cabeça: — Não sabia, vou direto para a casa da Família Moraes porque tenho assuntos a tratar. Vou mandar o motorista te levar lá.
Ele não tinha interesse em um banquete de boas-vindas. Ao sair do avião, haviam dezenas de jornalistas tirando fotos em todos os cantos.
Se ele fosse a um restaurante e jantasse com a Família Veras naquele momento, quem sabe o que iriam inventar.
— Mas os meus pais disseram para eu ir junto com você.
Isabella enfatizou mais de uma vez que deveria ser com ele.
Fernando não tinha intenção de responder às palavras ingênuas dela.
Mas assim que saíram do aeroporto, o motorista da Família Moraes se aproximou para pegar as duas malas.
— Senhor, o Senhor Moraes está esperando no hotel há um bom tempo.
Fernando passou apenas a mala de Isabella para o motorista: — Leve-a para lá. Eu tenho negócios na casa da família e vou voltar para lá.
— O Senhor Moraes disse que você deve estar exausto da viagem, quer dar as boas-vindas a você adequadamente. Depois que comer, beber e descansar bem, vai te levar para ver sua mãe.
O motorista repetiu fielmente as palavras de Arnaldo.
Eram palavras com segundas intenções.
Fernando percebeu e franziu as sobrancelhas.
Diziam que ele e Isabella eram um casal perfeito, feitos um para o outro.
Não precisava de muita análise para notar que haviam contratado bots.
Nesse momento, Fernando finalmente entendeu a função de Isabella.
A noiva escolhida por Arnaldo para ele.
Aquelas conversas de que ele deveria voltar primeiro, assumir sua posição de Senhor Fernando e que Oceana ficaria com ele naturalmente eram pura manipulação.
Fernando nunca acreditou naquelas palavras, mas Arnaldo não perdeu tempo em colocar uma mulher ao seu lado. Ele tinha certeza absoluta de que Fernando seria obediente por causa das cinzas da mãe.
Depois de descer do carro, ele observou Isabella.
A menina vestia um vestido de alças finas com um sobretudo por cima, cabelos longos, lisos e pretos caídos nos ombros e tinha olhos grandes e cheios de vida.
Ao vê-lo parar de repente, Isabella também parou.
— O que houve?
Fernando continuou a observá-la, determinando que aquela menina era inocente demais para notar as verdadeiras intenções de ambas as famílias.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!