Tereza sorriu, segurou a mãozinha da filha e caminhou em direção ao pai.
Flávio Leal olhou para a filha com a mesma expressão gentil de sempre. Estavam conversando casualmente quando ouviram o som do motor de um carro sendo desligado do lado de fora do portão.
Flávio olhou imediatamente para Tereza:
— O Norberto também veio?
Tereza estranhou. Ela não havia o avisado, então voltou-se para Delfina.
A garotinha deu de ombros:
— Eu não mandei o papai vir.
Foi nesse momento que a figura alta de Gregório despontou na entrada do pátio, carregando algumas sacolas de frutas. Ao entrar e notar a presença de Tereza, seus olhos revelaram surpresa antes de se iluminarem com um sorriso.
Flávio bateu a mão na própria testa na mesma hora:
— Quase me esqueci. Eu separei uns materiais para ele e pedi que passasse aqui hoje à noite para buscar.
— Professor, Tereza. — Gregório aproximou-se da varanda, cumprimentando-os com um sorriso.
— Sr. Duarte, o que o senhor faz aqui? O vovô te convidou para jantar? — Delfina perguntou, sorridente.
Gregório assentiu com a cabeça:
— Sim, eu pedi ao Sr. Leal para separar uns documentos para mim e aproveitei que estava a caminho para pegá-los.
— Já que está aqui bem na hora do jantar, fique para comer com a gente antes de ir. — Flávio convidou de imediato.
Diante da insistência de Flávio, Gregório, naturalmente, não teve como recusar.
Além do mais, ao pousar os olhos na silhueta de Tereza, o olhar dele cintilou.
A mesa de jantar estava repleta de pratos caseiros. Para tornar o clima mais agradável, Flávio pediu a Filomena Junqueira que levasse a comida para a mesa do pátio. Todos se sentaram ao ar livre. O aroma suave das flores pairando no ar tornou a refeição ainda mais saborosa.
— Delfina, venha, experimente uma costelinha. — Ao servir a neta, os olhos de Filomena transbordavam carinho e devoção.
Ela sequer ousava imaginar o impacto que aquela garotinha sofreria quando a família se desmanchasse.
Delfina, sentada na cadeirinha infantil comprada especialmente para ela, usou o garfinho para pegar o pedaço de carne e colocou na boca, toda obediente:
— Obrigada, vovó, está uma delícia.
Flávio ocupava a cabeceira da mesa, conversando com os dois jovens sobre o projeto em que trabalhavam juntos.
Na metade do jantar, o relógio-telefone no pescoço de Delfina começou a tocar. Ela olhou para o visor e sorriu de orelha a orelha:
— É o papai me ligando.
Tereza falou num tom neutro:
— Então atenda.
Delfina pegou o aparelho prontamente e atendeu a videochamada. O rosto de Norberto apareceu na tela; ele parecia estar dentro do carro, com as luzes da cidade passando ao fundo.
Gregório murmurou um hum e devolveu o relógio a Delfina.
— Papai, então vamos terminar de comer, tá? Tchau. Mais tarde, quando eu sentir saudade, eu te ligo de novo. — E assim que terminou de falar, Delfina desligou.
Norberto ficou encarando a tela escura, os lábios cerrados em uma linha fina, a mandíbula visivelmente rígida.
Que coincidência conveniente... Justo na noite em que Tereza voltava para a casa dos pais, Gregório aparecia para filar um jantar?
Por que aquilo soava como se tivesse sido planejado?
Após a refeição, Gregório deu uma volta pela cidade universitária com Flávio antes de voltar para pegar o carro.
Tereza conversava assuntos do dia a dia com a mãe na sala quando Gregório entrou para se despedir. Ela o acompanhou até a porta.
— Tereza, já vou indo. — Gregório avisou, parado na varanda.
Tereza assentiu. Ao observar a postura ereta e impecável do homem, cujos olhos exalavam uma doçura límpida, ela abaixou a cabeça, fitando o chão.
Gregório não prolongou a despedida; virou-se e cruzou o portão do pátio, partindo.
Às oito horas da manhã de sábado, a luz do sol rompia a leve neblina e iluminava o pátio da Mansão Cardoso.
Norberto acabara de voltar de sua corrida matinal e estava sentado na sala de jantar de moletom cinza, bebendo café.
Nesse exato instante, um Bentley branco se aproximou da entrada. Porém, ao tentar passar pela guarita, a placa do veículo foi bloqueada pelo sistema de acesso.
Ao ver a mensagem de restrição no painel, o rosto de Hera foi tomado pela surpresa.

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