As palavras da avó Cardoso caíram como uma pedra na água, levantando uma onda gigante nos ouvidos de Hera Lopes. Com os olhos arregalados de descrença, ela encarou a senhora.
— Isso é impossível. — A primeira reação de Hera foi acreditar que aquilo era uma notícia falsa, uma mentira inventada por Tereza para justificar os recursos que monopolizava na Família Cardoso.
— Você acha que ela é igual a você, que se casou por causa do dinheiro e do poder da Família Cardoso? — O olhar da avó Cardoso continuava afiado como uma faca ao soltar um riso gélido.
A expressão de Hera ficou péssima. Ela abaixou a cabeça, sem negar e sem responder.
Mas o seu silêncio foi a melhor das respostas.
— Isso foi o próprio Norberto quem confirmou. Há testemunhas e evidências materiais, portanto, não é mentira. Quando Tereza se casou com ele, nunca foi por poder ou prestígio, mas sim pelo homem que meu neto é. — A avó Cardoso encostou-se na cadeira, exibindo um leve sorriso de satisfação no rosto.
— Avó, eu sempre achei que a senhora fosse a pessoa mais inteligente desta família. Mas, pelo visto, acabou se deixando enganar pela falsa doçura da Tereza. Vai acreditar em qualquer coisa que ela disser? Quem garante que o Norberto também não está mentindo? Afinal, nenhum homem suporta a ideia de que sua própria esposa não o ama. Embora agora estejam divorciados, esse ego patético masculino os obriga a inventar uma desculpa mais apresentável para os outros. — A expressão de Hera alternava emoções enquanto ela soltava uma risada sarcástica.
A avó Cardoso franziu a testa, achando que Hera era realmente uma criatura detestável, sempre disposta a plantar discórdia.
Mesmo com tudo o que lhe foi dito tão abertamente, ela não apenas se recusava a acreditar, como ainda conseguia distorcer as coisas com tantas desculpas absurdas. Sem dúvida, era o tipo de pessoa que não suportava ver o bem dos outros.
— Não vou discutir isso com você. Se o Norberto acredita, então é verdade. — A avó decidiu não perder mais tempo e disse, num tom apático: — Todo mundo que já conviveu com a Tereza sabe muito bem que ela não é uma pessoa interesseira. Essa falsa doçura que você menciona é o fato de ela vir pontualmente me ajudar com a minha fisioterapia? Se for, você está redondamente enganada. Quando estou com ela, não sinto o menor desconforto. Ela agrada muito a esta velha aqui.
— Avó, eu... eu não tenho inveja dela, só acho que a Tereza não é tão boazinha quanto parece. — Ao ouvir aquelas palavras, Hera sentiu como se algo se despedaçasse dentro do peito. Seus olhos ficaram vermelhos e as lágrimas começaram a brotar, mudando instantaneamente sua postura agressiva para uma expressão vulnerável.
— Você não acredita porque ela consegue fazer coisas que você não é capaz de fazer. — A avó cravou o olhar nos olhos dela. — Desde pequena, você sempre foi dissimulada e cheia de segundas intenções. Manipulava meus dois netos como se estivesse adestrando cachorros. Eu realmente detesto garotas calculistas como você. A Tereza conquistou seu espaço na Família Cardoso e impôs respeito na empresa por mérito próprio. E você, se apoia em quê?
Hera abaixou a cabeça, deixando escapar lágrimas de pura frustração. A avó finalmente tinha dito o que pensava. Ela nunca gostara de Hera desde a infância, a odiava. Por isso, Hera sempre tivera medo dela e não ousava nem chegar perto do seu quarto.
— Essa criança é muito importante para a Família Cardoso, mas não a ponto de permitirmos que você a use como arma para nos ameaçar. Você conhece as regras da alta sociedade. A linhagem é fundamental, e a verdade é que não fazemos tanta questão assim de uma genética de baixa qualidade. — A avó foi extremamente cruel e direta em suas palavras.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido