— Hera... Sra. Cardoso. — Karina Andrade cumprimentou com um sorriso amigável, puxando a filha, Amanda Martins, que vinha logo atrás. Amanda, no entanto, chupava um pirulito e se encostou na parede do corredor.
— Eu não vou entrar, vá você. Não vou bancar a simpática para levar gelo.
Karina Andrade teve que se contentar em dar um tapa leve no braço da filha, desistindo de forçá-la.
— Como a Sra. Andrade veio parar aqui? — O tom de Hera era educado, porém distante. Tratava-a mais como uma parente estranha do que como a própria mãe biológica.
O tratamento "Sra. Andrade" fez Karina Andrade endurecer na hora.
— Fui eu quem passou o endereço. Ela viu o vídeo de você se machucando ontem e me ligou. — explicou Jessica, em tom casual.
— Isso, a Sra. Cardoso me avisou. Hera, sua perna ainda dói? Eu preparei uma sopa de costela para você, achei que fosse gostar... — Karina Andrade parou no meio da frase. Ela notou a fina tigela de porcelana ao lado, com metade do caldo revigorante ainda intacto, e instantaneamente perdeu as palavras.
Jessica franziu a testa, deixando evidente o quanto achava a presença de Karina Andrade desnecessária.
— Não é necessário, já estou satisfeita. Minha mãe pediu para a cozinheira preparar muitas coisas gostosas para mim. — Hera pegou um lenço de papel, limpou levemente o canto da boca e respondeu com frieza.
Jessica imaginou que mãe e filha biológicas tivessem algo a conversar. Assim, deu um tapinha afetuoso nas costas da mão de Hera.
— Hera, a Sra. Andrade também se preocupa com você. Conversem um pouco. Vou perguntar ao médico sobre os próximos passos do tratamento.
Dito isso, Jessica se levantou. Karina Andrade, num reflexo automático, curvou ligeiramente a cabeça em uma postura de respeito.
Apenas as duas ficaram no quarto do hospital.
Karina Andrade olhou para a perna engessada de Hera. O vínculo de sangue entre mãe e filha era algo que não se rompia facilmente. Com os olhos vermelhos e marejados, ela disse:
— Hera, tome mais cuidado da próxima vez. Uma queda dessas deve doer muito.
— Já não dói mais! — Hera nem sequer olhou para ela, com uma expressão apática. — Sra. Andrade, você não precisava ter se dado ao trabalho de vir. A minha família sabe cuidar muito bem de mim.
Karina Andrade ficou perplexa, e as lágrimas ameaçaram cair de vez.
— Hera, não vim para atrapalhar, só queria te ver um pouco. Afinal, você é sangue do meu sangue. O seu parto durou um dia e uma noite, quase tive complicações graves e achei que você não fosse sobreviver...
— Sra. Andrade. — Hera interrompeu-a bruscamente, com a voz sem um pingo de calor. — Eu vivo muito bem agora. A Família Cardoso me trata como uma filha biológica. Não me falta absolutamente nada. Tudo o que você tem a fazer é cuidar da sua própria vida e parar de se preocupar comigo.
Foi naquele instante que a porta foi escancarada com brutalidade pelo lado de fora.
Amanda marchou até a cama e apontou o dedo bem na cara de Hera.
— Você tem coração? Ela é a sua mãe biológica! Agir com esse tom de ingratidão, você quer matar quem de raiva?
— Amanda, controle essa língua, pare de falar! — Karina Andrade levou um belo susto. Sabia que a filha caçula era impulsiva e desbocada, mas falar daquele jeito com Hera não terminaria bem.
Amanda se desvencilhou do braço da mãe, que tentava puxá-la, e continuou gritando com a voz estridente.
Karina Andrade estava tremendo da cabeça aos pés. Protegendo a filha mais nova com o corpo, implorou com a voz embargada:
— Hera, perdoe a Amanda, ela ainda é jovem e fala sem pensar...
Encarando as duas mulheres aterrorizadas, Hera continuou encostada na cabeceira da cama. Ela observou a bagunça no chão e exigiu, com uma voz cortante:
— Peça desculpas.
— Você... sua louca! — Amanda berrou, fora de si. — Por que jogou isso em mim? Se tivesse me machucado de verdade, eu te processava!
— Eu mandei você calar a boca e pedir desculpas. — Hera fixou o olhar nela, transbordando uma aura intimidadora. — Peça desculpas por cada palavra que acabou de dizer.
Karina Andrade também estava em choque. Observando aquela mulher desconhecida, que exibia as garras afiadas para ela e sua filha de forma tão impiedosa, seus olhos se encheram ainda mais de lágrimas.
Nesse exato momento, a porta foi aberta e Jessica entrou.
Enfermeiras, que tinham ouvido o barulho, também vieram logo atrás.
— O que aconteceu? Por que há cacos de vidro no chão? — Jessica perguntou, franzindo a testa. — O que está havendo?
Ao ver Jessica se aproximar, Hera rapidamente mudou de tom e respondeu:
— Não foi nada. Eu perdi o jeito e deixei o copo cair no chão sem querer.

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