Tereza desviou o olhar, evitando encará-lo.
— Mamãe, você não quer deixar o papai morar aqui? Por que não? A empresa do papai também fica bem pertinho daqui — perguntou Delfina, pulando da cama e correndo para sacudir levemente a mão de Tereza.
Tereza olhou para os olhos cheios de expectativa da filha e sentiu um nó na garganta. O erro havia sido de Norberto, mas, no fim das contas, eram ela e a filha que teriam que suportar as consequências. Era injusto demais.
— Delfina, não deixe a mamãe numa saia justa. Esta foi uma decisão que o papai e a mamãe tomaram juntos. Quando você sentir saudades, pode ir para a mansão ficar comigo — explicou Norberto ao se aproximar.
— Não! Eu não quero morar separada de vocês dois! Eu quero que nós três moremos juntos! Mamãe, você não ama mais o papai? Você tinha me dito antes que amava muito, muito o papai... — indagou Delfina com um biquinho no rosto, apertando a mão de Tereza.
O coração de Tereza sobressaltou-se, e ela olhou rapidamente para Norberto.
Uma emoção peculiar cruzou o olhar de Norberto enquanto ele encarava Tereza, agora com uma ponta de escrutínio.
Ela era mesmo capaz de dizer qualquer mentira só para confortar a filha.
Amava-o muito, muito?
Desde quando? Como ele não sabia disso?
— Tudo bem, Delfina, isso é coisa de adulto, é difícil para você entender agora. Você não disse há pouco que queria comer aquelas pastilhas de leite de coelhinho? A mamãe pega duas para você — disse Tereza, abaixando-se para pegar a filha no colo e seguindo para a sala de jantar.
— Sim! Eu quero muito! — concordou Delfina, com sua atenção sendo desviada instantaneamente.
O olhar pesado de Norberto acompanhou a silhueta de Tereza, sem desmascarar a mentira que ela havia contado à filha.
— Vamos jantar na casa principal da família hoje à noite. Foi um pedido da vovó — disse Norberto caminhando até Tereza.
Tereza apenas murmurou em concordância, como resposta.
— Quer ir na frente com o papai? A mamãe vai logo depois — sugeriu Norberto voltando-se para Delfina.
— Está bem — aceitou Delfina, antes de Norberto pegá-la no colo e caminhar para a porta, instruindo-a na saída: — Despeça-se da mamãe.
— Mamãe, eu e o papai vamos na frente. Você vai daqui a pouco, tá? — despediu-se Delfina, acenando com a mãozinha enquanto mastigava a pastilha de leite.
— Combinado! — assentiu Tereza, e a porta fechou-se em seguida.
O coração de Tereza pareceu ser picado por alguma coisa, uma dor aguda.

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