— Sim, a Hera se machucou e está no hospital. Eu levei a criança para ver a tia, qual é o problema? — disse Norberto, pausando o que estava fazendo, largando a camiseta de qualquer jeito e olhando para Tereza de cima a baixo.
— Você me avisou com antecedência?
— Ela é tia da Delfina. É mais do que natural que a criança veja a própria família — retrucou Norberto, franzindo levemente a testa.
A palavra natural caiu como um balde de água fria, fazendo a raiva de Tereza disparar.
— Norberto. — Ela conteve a fúria: — O artigo quarto do acordo, sobre os detalhes do direito de visita. Eu exigi que, se você levasse a Delfina para ver a Hera, teria que me avisar antes. Você fez isso?
As sobrancelhas de Norberto se juntaram ainda mais.
— Eu ainda não assinei o acordo de divórcio. Essa é uma exigência unilateral sua, com a qual eu não concordei.
Tereza ficou paralisada, lembrando-se só então de que a minuta ainda estava retida com ele.
— Tereza, eu não concordo com essa cláusula e nem vou concordar. A Hera é tia da menina e faz parte da Família Cardoso. É justo, razoável e legal que ela a veja. Com que direito você quer impedir? — A voz de Norberto soou mais grave.
A convicção de Norberto e a sua certeza absoluta deixaram o peito de Tereza sufocado.
— Norberto, por acaso você também está planejando fazer a Delfina chamá-la de mãe? — questionou Tereza, mordendo o lábio e encarando-o com os olhos cheios de ira.
— Tereza, você é realmente irracional. — Norberto esquivou-se da pergunta.
— Eu sou a mãe da Delfina. Fui eu quem a criou, e eu simplesmente não quero que ela veja aquela mulher. Eu vou impedir, sim.
— A Hera não tem más intenções. Ela também gosta muito da Delfina... — O pomo de adão de Norberto moveu-se e sua voz vacilou um pouco.
— Não cabe a você dizer se ela tem ou não más intenções — interrompeu Tereza. — E o problema não é ela, é entre nós dois. Você deveria respeitar a minha exigência como mãe.
— Tereza, será que você pode deixar de ser tão sensível? A Hera não é esse tipo de pessoa, e você já passou dos limites. — A voz de Norberto endureceu.
Dito isso, Norberto virou as costas, pegou a camiseta e a vestiu rapidamente, com irritação.
— A partir de hoje, se você for levar a Delfina para ver qualquer pessoa, terá que me avisar com antecedência. Se não quiser, então eu vou tornar o divórcio público, entrar com um processo judicial e pedir uma ordem de restrição. — Tereza falou com frieza, olhando para as costas dele.
Os belos olhos de Norberto se arregalaram instantaneamente.
— Tereza, acho que você enlouqueceu.
Tereza o encarou com frieza: — Eu não enlouqueci. A Hera é um dos motivos do fracasso do meu casamento, e eu não vou permitir que a minha filha se aproxime de alguém assim.
Ela se virou, pronta para ir embora.
— Fique calma. — Norberto deu um passo largo para frente, agarrou-a pelo pulso e a prensou contra a porta do armário.
Os dois pulsos de Tereza ficaram imobilizados pelas mãos dele.
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