— É... — concordou Henrique, sabendo que o desfecho era resultado da sua própria falta de influência.
A cerimônia de premiação aconteceu três dias depois. A perna de Hera já estava curada. Usando um elegante vestido dourado pálido e com os cabelos presos no alto para destacar o pescoço esguio, ela parecia brilhar no palco, exibindo um sorriso impecável.
Aquele era o dia da premiação dos projetos em grupo, os prêmios individuais seriam entregues no dia seguinte.
Fotos e vídeos do evento chegaram à sede do grupo quase em tempo real.
Hera segurava o troféu, sorrindo com graciosidade, ladeada por líderes do departamento de regulação de medicina tradicional e outras figuras de destaque, todos aplaudindo juntos.
Abaixo das imagens, a legenda anunciava: Diretora Lopes, da Apex, recebe o Prêmio Nacional de Inovação Coletiva em Medicina Tradicional em nome da empresa.
Tereza encarou aquela foto por um longo tempo, sentindo os olhos arderem.
Quando os funcionários do grupo viram as imagens, as fofocas e os murmúrios correram soltos.
Por acaso, Tereza precisou ir à matriz para resolver um assunto. Mal entrou no banheiro e já escutou vozes abafadas e animadas do lado de fora, trocando fofocas.
— Ficaram sabendo? Aquele prêmio é todo mérito da Dra. Leal, mas quem colheu os frutos foi a Diretora Lopes, que levou a fama.
— Sério? Então a Dra. Leal deve estar chorando as pitangas escondida.
— Fazer o quê? A Diretora Lopes tem o apoio do Diretor Cardoso, então ela que aguente. O título de Sra. Cardoso da Dra. Leal é apenas decorativo, não dá nenhum poder de fato a ela.
— É verdade, ela só tem o nome. Eu bem que achei estranho. Uma chance de ouro dessas, ainda mais na área de medicina tradicional, como ia cair logo no colo da Diretora Lopes? Acontece que ela tem as costas quentes.
— Falem baixo, não saiam espalhando.
Tereza abaixou a cabeça e apertou os dedos. Aquelas palavras sopravam por toda parte como o vento. Todos estavam fazendo dela motivo de chacota.
Ter que ceder a uma honraria que era sua por direito àquela mulher já era uma humilhação por si só.
Os olhares de pena, de desconfiança e de regozijo alheio a encobriam como uma espessa nuvem de cinzas invisíveis.
Norberto não comparecera à cerimônia da manhã, e Henrique havia ido procurá-lo para tirar satisfações.
— Diretor Cardoso, a Diretora Lopes realmente foi receber o prêmio? — perguntou Eduardo Barreto com uma breve hesitação, após entrar para levar um café assim que viu Henrique sair enfurecido.
— Sim. — Norberto mantinha os olhos na tela do computador.
— Aquele prêmio... Se bem me lembro, é de um projeto da Dra. Leal. Ouvi dizer que ela estudou inúmeras fórmulas antigas por causa desse projeto. Em tese, esse prêmio deveria... — Eduardo falou com cautela, espiando a expressão do chefe de soslaio.
Norberto levantou a cabeça e lançou-lhe um olhar.
Foi um olhar tão gélido que fez a espinha de Eduardo gelar. Ele calou a boca imediatamente e saiu da sala.

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