Uma expressão de ansiedade tomou conta do rosto belo de Norberto. Ele ligou depressa para Eduardo, ordenando que rastreasse o paradeiro de Hera imediatamente. Após mais de dez minutos de busca, Eduardo retornou a ligação informando que não encontrara nada, apenas descobriu que Hera havia deixado a Apex por volta das três da tarde, desaparecendo em seguida.
— Continue procurando. — exigiu ele, ao receber essa notícia, com sua aura pesada e hostil intensificando-se no mesmo instante.
O céu lá fora já havia escurecido quando Tereza acordou subitamente no quarto do hospital. Ela acabara de ter um sonho com a noite de núpcias. Nele, Norberto chegava tarde da noite, completamente embriagado, pegava um cobertor, deitava-se no sofá e, com uma voz extremamente suave e educada, dizia para ela ir dormir cedo.
Ao abrir os olhos, Tereza notou que o ambiente ao redor estava assustadoramente silencioso.
O cheiro de desinfetante impregnava o ar por toda parte. Pela fresta da janela entreaberta, podia-se ver o céu escurecendo e ouvir o leve zumbido da cidade ao longe.
— Dra. Leal, como você está? Ainda dói? — Kesia abriu a porta apressadamente nesse momento, segurando embalagens de comida, e perguntou com o coração apertado ao ver Tereza sentada na beirada da cama.
— Já não dói mais. Você viu o Norberto a caminho daqui? — Tereza respondeu com um sorriso.
— Não vi. O Diretor Cardoso também está aqui? Que desastre, não trouxe jantar para ele, só comprei o seu. — Kesia hesitou antes de responder honestamente.
Tereza lançou um olhar para o corredor, onde já se viam as silhuetas de vários seguranças patrulhando.
— Não precisa, ele mesmo vai atrás de comida. — disse ela.
— Hahaha! — Kesia riu. — Só os animais do Discovery Channel vão atrás de comida, o Diretor Cardoso, pelo menos, é um ser humano.
— Para mim, ele não é muito diferente de um animal. — zombou Tereza friamente.
Kesia pensou na relação cada vez mais distante entre os dois e, de repente, perdeu a vontade de rir.
Saber que Norberto estava ali deixava Kesia um tanto nervosa, ela temia que ele aparecesse de repente e que precisasse se retirar para não atrapalhar.
Sentado no carro, Norberto observava o céu escurecendo. Imaginava que, a essa hora, Tereza já deveria ter acordado e que ele precisaria estar no hospital fazendo-lhe companhia, mas havia uma tensão inegável apertando o seu coração.
O celular vibrou novamente.
Era uma ligação de Eduardo.
— Diretor Cardoso, consegui descobrir! — exclamou ele.
— Fale! — ordenou Norberto.
— A Diretora Lopes saiu da empresa e foi para a zona oeste. Lá, pegou uma van e seguiu direto para o Cais Leste, sem registros de que tenha saído de lá. É provável que ela tenha embarcado no Iate Via Láctea, que zarpou às sete da noite. O destino é o alto-mar, em uma viagem de dois dias e uma noite. — A voz de Eduardo soou pelo telefone, carregada de ansiedade e pressa.
Dois dias e uma noite? Alto-mar?
Essas palavras fizeram a expressão de Norberto se fechar.
Hera era uma pessoa extremamente medrosa, como poderia embarcar sozinha em um cruzeiro?
O que ela estava tentando fazer?
Afinal, qual era o objetivo dela?
— Diretor Cardoso! — A voz de Eduardo trouxe Norberto de volta de seus pensamentos agitados.

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