Logo veio outra mensagem de Hera: 'Faz tempo que não comemos juntos. Está livre hoje à noite? Meu apetite não anda muito bom ultimamente, estava com vontade de comer algo mais azedinho. Lembra daquele restaurante que serve aquele peixe ao molho de maracujá maravilhoso que você me apresentou da última vez? Queria jantar lá hoje, o que acha de vir comigo?'
Hera usava o tom manhoso em que era especialista para jogar conversas rotineiras e afetuosas em cima dele.
Norberto leu tudo sem demonstrar um pingo de emoção e largou o celular sobre a mesa.
Ele estava em seu escritório na empresa. Através das janelas de vidro do chão ao teto, observava as luzes da cidade se acendendo aos poucos.
Havia um vazio se espalhando em seu peito. Naquele momento, Tereza ainda estava em negociações com os representantes da Rosh. Ao olhar para as incontáveis luzes lá fora, Norberto lembrou que ela não estava naquela cidade, que estava bem longe, e uma emoção indescritível tomou conta dele.
Ele se virou, pegou a chave do carro e dirigiu direto para o prédio de apartamentos da Vitalis Futuro.
Levou consigo algumas frutas, além de brinquedos e os salgadinhos favoritos de sua filha, Delfina.
Dona Lígia já havia preparado um banquete para o jantar. Filomena Junqueira e Flávio Leal também já haviam se mudado para o apartamento. Flávio estava tentando ensinar matemática a Delfina Cardoso. O velho professor havia lecionado por mais de trinta anos e, ainda assim, era a primeira vez que encontrava uma aluna tão preguiçosa.
— Delfina, conte de novo, prestando atenção. — Flávio alertou a neta com extrema paciência.
— Mas eu contei direitinho! São dezenove!
— Mas não está faltando um? Você não comeu? — Flávio estava dividido entre rir e chorar.
— Fui eu mesma que comi! Olha só, essa maçã é tão grande e vermelha, aposto que é deliciosa. Nham, nham... eu quero comer todas de uma vez! — Delfina apoiou o queixinho na mão, soltando uma risada sapeca.
Flávio congelou no mesmo instante, massageando a têmpora com uma mão e apertando o peito com a outra.
Como podia ser? Os pais eram gênios acadêmicos, de onde a menina havia puxado aquilo?


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