— Alterar o quê? — perguntou Tereza num sussurro, parando de andar.
— Eu concordo com todos os termos que você exigiu, mas eu também tenho a minha condição. — Norberto também lançou um olhar na direção da sala de estar e abaixou o tom de voz com uma expressão fria. Dona Lígia estava com Delfina na varanda, lavando as mãos.
— Falamos sobre isso depois. — Tereza mordeu o lábio inferior ao ver Delfina correndo em direção a eles com as mãos pequenas e molhadas erguidas, interrompendo o que ia dizer.
Ao ver a filha se aproximar, Norberto achou sensato permanecer em silêncio.
— Mamãe, eu quero ir ao museu de tarde. Faz muito tempo que eu não vou. Você me leva para passear?
Tereza ficou sem reação; pensou em dizer que sua perna ainda estava machucada e que seria difícil passear, mas engoliu as palavras.
— Delfina, a mamãe tem experimentos para fazer à tarde. Que tal o papai levar você para passear? — Norberto abaixou-se imediatamente e disse num tom suave.
— Nós podemos ir ao museu? — Delfina piscou os olhos ansiosa.
— Se é lá que você quer ir, então nós vamos ao museu. — Norberto acatou o desejo da filha.
— Eba! Mas a mamãe não vai mesmo? — Delfina ficou um pouco decepcionada.
— Eu posso ir, mas talvez não consiga te carregar no colo. — Tereza apressou-se a dizer ao ver a tristeza no rosto da filha.
— Eu prometo me comportar direitinho, vou andar sozinha e não vou pedir colo! — Delfina abriu um sorriso radiante ao ouvir a confirmação da mãe.
Tereza deu um sorriso resignado. Sabia bem que, se a filha ficasse cansada ou com sono, não daria nem mais um passo, por mais que sua boquinha estivesse cheia de promessas agora.
— Não tem problema, o papai carrega! — exclamou Norberto. Em seguida, ele lançou um olhar profundo para Tereza, um pouco surpreso por ela ter aceitado acompanhá-los naquele passeio.
Tereza, na verdade, tinha os seus próprios motivos. Ela e Norberto iriam se divorciar em breve, e as oportunidades de saírem juntos com a filha se tornariam escassas. Enquanto ainda estavam casados, ela se dispunha a acompanhá-lo e a levar a filha aonde ela quisesse.
Dona Lígia, ao ouvir que a família iria sair, apressou-se a arrumar alguns lanches e água para levarem.
— Vamos no meu carro. Eduardo Barreto já está lá embaixo. — disse Norberto.
Tereza não recusou. Pegou a sacola com os lanches e a água, enquanto Delfina segurava a mão grande de Norberto, caminhando alegremente na frente deles.
Olhando para as costas pequenas e exultantes da filha, o coração de Tereza foi invadido por uma tristeza indescritível.
Cenas como essa nunca mais se repetiriam no futuro; ela nem ousava pensar muito sobre isso.
No caminho para o museu, Delfina tagarelava sem parar, com Norberto concordando e acompanhando a conversa ao seu lado. A interação entre pai e filha era ótima, mas Tereza permanecia calada.
Quando Norberto virava a cabeça para falar com a filha, o seu olhar ultrapassava a menina para repousar no rosto de Tereza.
Percebendo que o homem estava observando as suas reações, Tereza desviou o olhar para a janela.


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