— Você veio até mim agora só para brigar? — Norberto ficou um pouco sem palavras. Tereza nunca gostou de discutir antes. Ela sempre foi educada e quieta, e mesmo quando ele a irritava, ela apenas dava um olhar furioso e ia embora.
Mas hoje, a discussão estava intensa.
— E eu não posso brigar com você? — Tereza lançou-lhe um olhar frio: — Se não fosse pela Delfina, eu sequer olharia para a sua cara.
Norberto não esperava ouvir palavras tão cruéis depois de tantos anos de casados.
— Se não olharia para a minha cara, como teve a audácia de se casar comigo naquela época? Tereza, você é bem ambiciosa. — Norberto também estava cego de raiva. Ele costumava desdenhar dessas palavras cheias de sarcasmo, pois acreditava que um homem de classe e compostura jamais usaria esse tipo de tom.
— Não me importo mais com o que você diz, Norberto. Talvez... eu só consiga falar bem com você se te tratar como um estranho. — Tereza abaixou a cabeça e sorriu, como se zombasse de si mesma.
— Estranho? Quão estranho? Um estranho com quem você dormiu por sete anos? Você deve estar brincando. — Norberto sentiu uma aversão inexplicável pela atitude de Tereza naquele momento. Era como se, bastando virar as costas, uma vida inteira ficasse para trás, e ela desaparecesse na multidão. Embora fosse uma sensação bizarra, ele no fundo detestava aquilo.
— Podemos dormir juntos por sete anos e ainda assim não sermos íntimos. Você já reparou onde eu tenho uma pinta no corpo? — Tereza perguntou-lhe de repente.
O olhar de Norberto estagnou e, em seguida, seus olhos pousaram sobre o corpo de Tereza, como se tentasse recordar de algo.
Ao vê-lo mudo, Tereza riu de repente. Aquela sensação de estar no auge da dor, mas ainda assim achar a situação cômica, a fez rir até chorar.

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