Tereza respondeu:
— Foi boa. A Delfina está mais crescidinha, é mais divertido passear com ela.
A velha senhora continuou de olhos fechados. Após um breve silêncio, voltou a falar:
— Tereza, durante todos esses anos na Família Cardoso, você realmente foi muito injustiçada.
Os dedos de Tereza pararam por um instante, mas ela não disse nada.
A senhora, por sua vez, prosseguiu:
— O Norberto é um inconsequente, espero que você não leve tão a sério as atitudes dele. Os homens sempre demoram mais para amadurecer do que as mulheres; dê-lhe um pouco de tempo...
Os dedos de Tereza voltaram a massagear. Ela não parou e tampouco retrucou.
Ela, de forma alguma, achava que o fato de Norberto carregar em seu coração a cunhada viúva, seu antigo amor, fosse sinal de imaturidade. Muito pelo contrário, ele sabia perfeitamente o que estava fazendo, e ainda assim entregava-se àquilo por pura obsessão.
Vendo que Tereza permanecia em silêncio, a senhora virou a cabeça para observar sua expressão e pediu:
— Tereza, você não poderia dar-lhe mais algum tempo para crescer?
Tereza sustentou serenamente o olhar da avó e respondeu:
— Avó, eu lhe dei sete anos. Sete anos é tempo o bastante. Mais do que isso, é impossível.
A velha senhora ficou estarrecida.
Logo em seguida, balançou a cabeça, resignada.
No escritório situado mais à esquerda do segundo andar, Delfina estava deitada de bruços no sofá, desenhando, enquanto Norberto sentava-se ao seu lado, analisando documentos em um iPad.
— Papai. — A mãozinha de Delfina estava cansada de tanto desenhar. Com um biquinho nos lábios, ela perguntou: — Quando vamos descer para jantar?
Norberto verificou a hora e respondeu:
— Em breve.
— A mamãe já chegou? — Delfina indagou novamente.
Norberto levantou-se, foi até a janela para conferir e disse:
— Chegou. O carro dela está estacionado bem ali.
Delfina correu para dar uma espiada e comentou:
— O carro da tia também está ali. Você vai descer para encontrá-la?


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