A chamada foi feita e, segundos depois, a voz de Raul ecoou: — Dra. Leal, ligando a uma hora dessas, aconteceu alguma urgência?
Tereza recostou-se na cadeira e disse: — Sr. Raul, preciso que me ajude a investigar uma coisa.
— Pode falar.
— Hoje, durante o almoço na Mansão Cardoso, vi Hera vomitar. Com a minha experiência médica... — Tereza fez uma pausa antes de continuar: — Suspeito que ela possa estar grávida.
A voz de Raul soou nítida após um segundo de silêncio do outro lado da linha: — De quem você suspeita que seja a criança?
Tereza olhou para a lua pela janela. Estava quase cheia, marcando a chegada de um novo ciclo no calendário.
Ela sentiu um cansaço repentino, e sua voz soou ligeiramente mais baixa: — Preciso de provas. Não importa de quem seja, quero que você descubra toda a verdade para mim.
Ao notar que ela evitava dizer o nome dele, Raul compreendeu a dimensão da dor e do desespero que consumiam a alma de Tereza naquele momento.
— Entendido. Iniciarei a investigação o mais rápido possível.
— Sr. Raul, sobre este assunto... — murmurou Tereza, em um tom suave.
— Fique tranquila. Serei extremamente cauteloso. Toda a investigação será feita rigorosamente dentro da lei; não levantaremos suspeitas e não deixarei rastro algum.
— Obrigada — sussurrou Tereza.
— Não há de quê, é o meu trabalho.
Após desligar, Tereza permaneceu sentada na escuridão por um longo tempo, até que seu corpo ficasse quase dormente.
O ato mais dramático daquela peça já havia começado. Os protagonistas entravam em cena, um a um, e logo chegaria a hora de ela, a mera coadjuvante, fazer a sua aparição.
Se aquela criança fosse mesmo de Norberto, Tereza sentia que a assinatura do divórcio não tardaria a chegar.

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