O sabor do amor não correspondido é algo que só quem já experimentou entende. Tereza podia muito bem se identificar com as palavras de Henrique, mas ainda assim, não podia aceitá-lo.
— Me desculpe. — Tereza disse, olhando nos olhos dele. — Eu sinto que funcionamos melhor como amigos e colegas de trabalho, não como um casal.
— É por causa do meu sobrenome Cardoso? — Uma centelha de dor atravessou o rosto de Henrique. Parecia ser uma barreira intransponível.
— Não é só isso. Você é o primo do Norberto, não faria sentido estarmos juntos dada a relação que temos. Além disso, agora que me divorciei, quero me afastar completamente dele e da família dele. Henrique, agradeço o seu carinho, mas... vamos ser apenas amigos. — Tereza abaixou a voz, mas suas palavras soaram implacáveis.
Henrique paralisou da cabeça aos pés, como se tivesse sido petrificado. Engolindo a tristeza e a decepção profunda, ele deu uma risada sutil:
— Eu já devia saber que esse seria o resultado, mas mesmo assim, não queria me dar por vencido.
— Me desculpe, eu sei que você é uma ótima pessoa. Acredito que, no futuro, vai encontrar alguém que seja perfeita para você. Por favor, não desperdice mais seu tempo comigo. — Tereza o valorizava muito e tinha plena convicção de que ele encontraria alguém na mesma sintonia.
— Quando você gosta de alguém por muito tempo, esquecer não é tão fácil. Especialmente quando vejo você todos os dias. Tereza, me dê um tempo. Hoje fiquei sabendo que você estava com Tristan e acabei perdendo a cabeça e confessando meus sentimentos. Se isso não tivesse acontecido, eu continuaria esperando em silêncio. — Henrique estava realmente ferido e se sentindo péssimo.
Quem ama em segredo costuma fantasiar sobre a vida a dois no futuro, e as pessoas mais sensíveis chegam até a pensar nos menores detalhes.
Henrique também pensava nisso, mas conseguia impor limites.
Agora, seus verdadeiros sentimentos haviam sido ditos, e o resultado foi uma rejeição.
Nesta noite, ele já não conseguiria fantasiar com um futuro impossível na quietude da madrugada, como costumava fazer. Talvez a melhor alternativa fosse se embriagar e anestesiar os sentimentos, não importando a dor de cabeça que teria na manhã seguinte.
Tereza, com um olhar cheio de remorso, abaixou a voz:
— Eu entendo.
Roberta, espiando do lado de fora do vidro, viu a expressão travada do irmão e já soube a resposta.

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