— Sério? O Diretor Cardoso foi tão cruel assim? Mas, afinal, ela ainda é a esposa dele...
— Casamento não é garantia de amor verdadeiro. Você não reparou nos olhares do Diretor Cardoso? Passou a maior parte do tempo focado na Hera. Dizem que ele não a apoia só no trabalho, mas na vida íntima... tsc, tsc, nem me fale!
— Minha Nossa Senhora, que escândalo! O cunhado mais novo e a cunhada viúva. Amei, amei! Esse é o tipo de drama que eu gosto.
— Não podemos ser tão injustas, no fim das contas, ela deu uma filha para a Família Cardoso...
— Você mesma disse, é só uma filha. E de que adianta? — retrucou outra voz, com desdém. — Acha mesmo que a Família Cardoso tem falta de herdeiros? Se o pai arrumar outra esposa, com certeza vai virar as costas para a primeira filha. Quem sabe no futuro a fortuna não vá toda para os meio-irmãos...
Nesse exato instante, a porta fechada da cabine se abriu abruptamente. Delfina, enquanto tinha sua meia-calça ajeitada por Tereza, fixou seus grandes olhos escuros e cheios de fúria no grupo de mulheres que retocavam a maquiagem do lado de fora.
Naturalmente, as mulheres também notaram o rosto gélido de Tereza e quase morreram de susto.
Cada uma delas tentou disfarçar apressadamente, fingindo estar ocupada, antes de saírem correndo pela porta, atropelando-se pelo caminho.
— Mamãe, elas estavam falando mal da gente? — perguntou Delfina, emburrada com sua vozinha infantil. Apesar de pequena, a menina era inteligente e, devido à doença que enfrentara, tinha uma sensibilidade emocional aguçada.
Tereza olhou para a filha com o coração apertado de dor, mas sabia muito bem que, embora o corpo da menina precisasse de cuidados delicados, seu espírito tinha de ser inabalável.
Crescer em uma família da elite como a Família Cardoso e ser criada como uma florzinha indefesa seria o mesmo que se tornar inútil. Ela apenas seria devorada pelos outros no futuro.
— O que você ouviu? — indagou Tereza baixinho, enquanto a levava para lavar as mãos.
— Elas disseram que o dinheiro do papai não vai ser meu, e sim dos meus irmãos mais novos no futuro.
— Não dê ouvidos a essas bobagens. O papai ama muito você — disse Tereza, pegando um papel toalha e secando suavemente as mãozinhas da filha.
Gregório também estava presente.
Delfina cerrou os punhos e marchou decidida em direção à sala de descanso.
— Olha só quem chegou, a Delfina... — Hera abriu imediatamente um sorriso doce e acenou para ela. — Venha cá com a titia, vou te dar um doce.
Delfina estava prestes a completar cinco anos, mas como fazia pouca atividade física e era um pouco seletiva com a comida, sua altura estava abaixo da média para a idade. Era bem magrinha, o que a deixava com um ar adorável.
— Como você veio correndo sozinha para cá? Cadê a sua mãe? — perguntou Norberto, olhando para a filha com ternura e um sorriso no rosto.
— A mamãe ficou magoada com o que umas tias más falaram dela, não sei se ela está chorando agora. — Delfina colocou as mãozinhas na cintura, irritada, e disparou a perguntar em voz alta para o pai: — Papai, me tira uma dúvida. O que significa "cunhado mais novo e cunhada viúva"? Por que aquelas tias disseram que adoravam assistir a esse tipo de drama? Vai passar alguma novela nova na televisão?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido