A matriarca acenou com a mão: — Pode ir. A menina também deve estar cansada. Quando o Norberto aparecer, avise-o de que o comportamento dele hoje foi deplorável.
Tereza estremeceu levemente, mas assentiu.
Carregando Delfina no colo, ela caminhou até a saída da mansão. O vento noturno soprava cortante, e o frio parecia ter se intensificado.
Henrique também estava de saída. Ao vê-la com a menina nos braços, abriu prontamente a porta traseira do carro para ela.
— Obrigada. Vá para casa descansar também. — Acomodando a filha na cadeirinha de segurança, Tereza agradeceu a ele.
— Pode deixar. Cuidado na estrada e boas festas. — Henrique acenou para ela.
— Boas festas! — Tereza respondeu antes de assumir a direção. O carro desapareceu na escuridão ao sair dos portões da Família Cardoso, sendo discretamente seguido pelo veículo dos guarda-costas, que mantinha uma distância segura.
Duas da manhã. O vento gelado fustigava a janela do quarto.
A maioria das luzes da cidade já havia se apagado.
Embora tentasse desesperadamente não pensar nas palavras que ouviu de Hera no telefone da filha, a insônia implacável tomou conta de Tereza.
Olhando para a noite lá fora, ela se levantou devagar. Sempre que o sono fugia, seu hábito era descer as escadas e servir-se de meia taça de vinho na adega.
Vestindo um robe de seda e segurando o celular, ela se encostou no balcão de forma silenciosa.
Abriu o feed do Instagram. Sendo fim de ano, as redes sociais fervilhavam de atualizações.
Inesperadamente, viu uma postagem de Hera com duas fotos, sem nenhuma legenda, apenas com o emoji de uma lua e outro de sono.
Era óbvio que a primeira foto tinha sido tirada de fininho. Sob uma luz quente e suave, a figura alta de um homem de camisa escura e avental aparecia de costas, ligeiramente curvado, concentrado nos ingredientes cozinhando no fogão.
Ele tinha ombros largos e apoiava os braços na bancada de mármore. O contorno de seu perfil estava levemente borrado, propositalmente focado de maneira imprecisa. Mas para qualquer pessoa íntima, não restavam dúvidas.
Tereza reconheceu no mesmo instante: era Norberto.
A segunda foto mostrava a sala de jantar. A mesa para dois estava arrumada de forma impecável. Sobre o tampo cor de marfim repousava um belo arranjo de rosas vermelhas, uma garrafa de vinho refinado com duas taças de cristal, e ao lado, três elegantes caixas de presentes empilhadas.
A composição da foto transbordava um ar de intimidade caseira, romântica e acolhedora.
Não havia localização nem menção a qualquer pessoa. Contudo, as costas largas de Norberto e a camisa de alta costura que ele vestia serviam como uma inquestionável assinatura.
Tereza limitou-se ao seu relatório de praxe. Nos bastidores, sequer trocou uma palavra com ele, agindo com a mais completa indiferença, como se o desaparecimento dele na noite anterior não tivesse o menor significado para ela.
Após o término, Tereza ficou na sala finalizando anotações. Na verdade, era uma estratégia deliberada para enrolar até que a equipe de Norberto saísse.
Porém, acabou percebendo que a sala já havia se esvaziado por completo, exceto por Norberto, que continuava em seu lugar na cabeceira.
Finalmente, ele se levantou, caminhou até ela e falou com uma voz grave e suave: — Você está livre amanhã? Podemos comprar alguns presentes e fazer uma visita aos seus pais.
O pedido a pegou ligeiramente de surpresa. No entanto, tratando-se de formalidades, Norberto jamais falhava. Por mais que a relação estivesse num beco sem saída, ele continuaria executando suas obrigações de marido com a mesma precisão de sempre.
— Não precisa. — Tereza recusou de imediato: — Eu levo a Delfina para ver os meus pais. Se você estiver muito ocupado...
— Tereza. — O tom de Norberto elevou-se sutilmente. — É uma questão de respeito. Eles são os seus pais e os meus sogros. Já mandei prepararem os presentes e vamos na parte da manhã. Inclusive, já avisei ao seu pai e ao seu irmão.
Tereza ficou em silêncio por um instante, desistindo de contestar. Sua mãe já desconfiava de algo. Se Norberto não a acompanhasse nas visitas de fim de ano, as suspeitas e as aflições da sua família só piorariam.
Quando os feriados passassem, ela precisaria encontrar o momento certo para abrir o jogo com os pais e mostrar a eles a dura realidade em que seu casamento havia se transformado.

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