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Toques Proibidos: Prazer em Série romance Capítulo 95

O jato executivo da Moretti Capital repousava sobre a pista molhada de um aeródromo privado no interior de Minas Gerais como um pássaro de aço ferido. O temporal que desabara sobre a região não era uma simples chuva de verão, mas um sistema frontal violento que transformara o céu em um abismo de chumbo e descargas elétricas. Dentro do hangar transformado em sala VIP improvisada — uma estrutura de concreto, vidro e isolamento acústico que parecia subitamente pequena demais —, Helena e Caio estavam isolados. A viagem de negócios a uma planta de semicondutores, que deveria ter sido um b**e-volta estritamente técnico após a crise do vírus, fora interrompida pela natureza, a única força que Caio ainda não conseguira corromper ou contratar.

O isolamento era absoluto. As estradas estavam bloqueadas por quedas de barreiras e o tráfego aéreo estava suspenso por tempo indeterminado. Helena sentou-se em uma das poltronas de couro, observando os pingos de chuva marretarem o vidro com uma fúria hipnótica. Ela havia retirado o paletó, ficando apenas com a blusa de seda que agora parecia fina demais para o ar condicionado que insistia em manter a temperatura em gélidos vinte graus. Caio, por sua vez, andava de um lado para o outro, o celular na mão, amaldiçoando a falta de sinal de satélite com a impaciência de um deus que acabara de perder seus poderes.

— O mundo não vai parar se você não checar o fechamento da bolsa de Tóquio, Caio — disse Helena, a voz ecoando suavemente no espaço amplo e vazio do hangar. — Sente-se. O radar diz que essa célula de tempestade não vai se mover pelas próximas seis horas.

Caio parou, suspirou pesadamente e guardou o aparelho no bolso do jeans escuro. Ele sentou-se na poltrona à frente dela, a postura despojada de sua habitual armadura de terno sob medida, mas ainda carregada de uma tensão latente. Ali, sob a luz amarelada de emergência do hangar, ele parecia menos o CEO predador e mais um homem confrontado com o silêncio que tanto evitava.

— Eu não gosto de ficar parado — admitiu ele, a voz num tom mais baixo, despida da projeção autoritária. — O movimento é a única coisa que me impede de pensar em coisas que não levam a lucro algum.

— Coisas como o que está acontecendo dentro das suas próprias empresas? — Helena inclinou a cabeça, observando-o. — Ou coisas como por que você sente a necessidade de possuir tudo o que vê pela frente?

Caio deu um sorriso amargo, mas não houve o costumeiro brilho de sarcasmo.

— Às vezes eu me pergunto como seria se eu não tivesse nascido com um sobrenome que exige que eu seja um muro de concreto. Você já se sentiu assim, Helena? Como se a sua empresa fosse uma pele que você não pode tirar, mesmo quando ela começa a sufocar?

Helena hesitou. A pergunta era honesta demais para os padrões de Caio.

— Eu criei a DuarteTech para ser a minha liberdade, Caio. Mas você tem razão. À medida que ela cresce, ela se torna uma responsabilidade que dita a minha rotina, meus medos e minhas noites em claro. Mas a diferença é que eu sei quem eu sou sem o logotipo na porta. Eu sou a menina que passava horas montando rádios velhos na calçada em Pirituba. E você? Quem é o Caio quando as luzes da Faria Lima se apagam?

O silêncio que se suspendeu entre eles foi preenchido apenas pelo som rítmico da chuva. Caio recostou-se, os olhos perdidos nas sombras do teto do hangar.

Comprada Pelo Bilionário - Capítulo 14 1

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