Ela tinha vivido muito bem a vida inteira. Até mesmo as pessoas poderosas do Setor Norte tinham que falar com ela de forma educada e respeitosa.
Ninguém nunca tinha se atrevido a pedir nada a ela, ou se aproveitar dela.
Renata era a primeira pessoa a fazer isso.
E isso a deixou muito incomodada!
Dona Letícia rangeu os dentes:
— Tudo bem! Eu te ajudo, mas espero que não se esqueça do que me prometeu!
Renata deu uma risada fria.
— Você também lembre do que prometeu. O prazo não vai durar muito tempo mais!
Dona Letícia ficou sem ar e não achou resposta. Ela encarou a moça antes de sair andando.
A assistente seguiu logo atrás dela, quase sem respirar. Mas admirou Renata de verdade, por falar com a sua patroa daquele jeito!
...
E as duas não sabiam.
Depois que saíram, a calma que Renata forçava para mostrar desmoronou e os ombros dela caíram de cansaço...
Foi Dona Josefa ligar para que ela acordasse e atendesse o celular.
— Dona Josefa, o que foi?
— Senhorita Rocha, o correio trouxe uma caixa grandona. É sua?
Renata não esperava que Cássia enviasse aquelas falsificações pelo correio tão rápido.
Ela apressou o passo em direção à rua.
E respondeu:
— É minha sim. Não precisa colocar no quarto, pode deixar no quintal.
Ela ia queimar aquilo!
— Tá bem.
Renata desligou.
Saiu do hospital e pegou um carro para ir embora.
O hospital não ficava tão longe das casas daquele bairro e meia hora depois, ela estava lá.
Ao entrar em casa, Renata foi para o quarto no segundo andar. Ela tirou da vitrine todos os presentes que o Wilson já tinha dado e os olhou, um por um.
Quanto mais olhava, mais o seu coração esfriava...
A pulseira de jade que ele deu no aniversário de 22 anos, o primeiro que comemorou ao seu lado... era falsa.
O enfeite de jade que deu no segundo aniversário de namoro deles também era falso.
Mesmo quando ele queria consertar o que fez de errado, o colar de safira que usou para convencer Renata também era falso...
Renata apertou o colar com as mãos trêmulas. Sob a luz, o brilho azul fraco da safira refletia no seu rosto pálido...
Por fim, ela desabou e encolheu o corpo. Abraçou as próprias pernas e chorou em voz alta!
Que pena!
Três anos! Ela agiu como uma verdadeira piada!
Ela não era só um brinquedo.
Mas um brinquedo barato... muito barato...
Os ombros de Renata tremiam. Ela ergueu a cabeça que estava escondida e olhou para as coisas de novo. Seus olhos estavam vermelhos de tanta raiva e rancor...
Segundos depois, levantou de repente, pegou um pequeno banco ao seu lado e atirou com força em cima daquelas coisas!
Crash! Crash!
No lado de fora do quarto.
Dona Josefa estava limpando o corredor e quase pulou de susto ao ouvir o barulho vindo do quarto. Ela deixou a vassoura e bateu na porta para ver se estava tudo bem.
Mas logo em seguida ela parou.
Com medo de se envolver no assunto da patroa.
Isso era o pior tipo de coisa que alguém de uma família rica podia fazer.
Ela abaixou as mãos, apavorada. Então pensou e resolveu avisar ao Wilson:
[Sr. Lopes, as coisas estão ruins por aqui, a senhora...]

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