Houve um estrondo alto!
O homem caiu e seu corpo robusto tremeu; soltou gemidos de dor...
As pessoas ao redor, atraídas pelo ruído, voltaram-se para observar.
Isso o deixou extremamente envergonhado.
— Merda... — Ele cerrou os dentes para se recuperar e, suportando a forte tontura, ergueu o olhar para o recém-chegado.
Cristiano aproximou-se.
Ele vestia um sobretudo preto leve e portava uma aura imponente, especialmente pelos olhos negros, que pareciam ocultar uma fera voraz; apenas uma olhada rápida causava calafrios em qualquer um.
O homem perdeu a voz repentinamente e foi tomado por um medo inexplicável, suando frio nas costas.
Sem ousar mais agir, levantou-se com o corpo trêmulo e saiu o mais rápido que pôde.
A fisionomia de Cristiano era sombria. Ele ajustou o colarinho e sinalizou com o olhar para os seguranças atrás dele.
Os seguranças o seguiram imediatamente.
Renata testemunhou toda aquela cena, a respiração pesada; sua mente ficara em branco por segundos a fio antes de voltar lentamente a si.
Olhou para o homem imponente e elegante diante dela, apertou os lábios secos e hesitou antes de falar.
— Sr. Jardim... obrigada por agora...
Ela não esperava encontrá-lo ali.
Cristiano fez uma pausa. Virou-se e observou-a retorcer de nervoso as mãos que estavam encostadas no corpo; seu olhar escureceu ao presenciar a cena.
Recolhendo os pensamentos, assentiu contidamente e aproximou-se dela, indagando como quem não quer nada:
— Você se machucou?
O cheiro gélido e refrescante que a invadiu de supetão fez seu coração palpitar e, ao mesmo tempo, sentiu uma estranha familiaridade naquele aroma.
A fusão sutil dos dois sentimentos deixou Renata perdida.
— N-não... — Instintivamente deu um passo atrás e abaixou a cabeça, incapaz de mirá-lo; e, por fim, sussurrou.
Cristiano percebeu os pequenos gestos de esquiva; parou controladamente os próprios passos e deixou escapar um olhar nostálgico...
Antigamente, ela gostava muito de se colar a ele.
Mas, agora, apenas se aproximar tornara-se um luxo inalcançável.
— Que bom que não se feriu. — Ele cerrou os dedos e proferiu em voz baixa.
Renata voltou a agradecer, sem saber mais o que falar e sentindo a tensão do constrangimento.
Afinal, ainda mal se conheciam, e o cargo importante que ele possuía ampliava a distância entre os dois.
Cristiano notou a hesitação na moça, seus lábios finos agora contraídos.
A razão o ordenou a sair no mesmo momento.
Mas a emoção suplicava-lhe que ficasse.
Ele, enfim, deu um passo à frente.
Sua saudade por ela era genuinamente sufocante.
Voltou-se para reparar no que havia à sua volta e lamentou, embaraçada:
— As mesas VIP já foram ocupadas. Por que não se senta aqui comigo?
Cristiano recolheu os devaneios, os olhos escuros tomados por profunda atenção.
Passou os olhos por ela fixamente por alguns segundos antes de emitir um aceno de consentimento; tomou, então, o lugar ao lado da garota.
Renata soltou a respiração; juntou-se a ele e pousou as bebidas na mesa à sua frente.
— Obrigado... — Cristiano buscou os copos com as mãos; acidental ou intencionalmente, as pontas de seus dedos tocaram os dela.
Renata sentiu o rosto queimar, logo mordendo os lábios; a parte de sua mão tocada pelo homem parecera aquecer subitamente.
Ao sentar-se na mesa, recolheu a mão, esquivando-se e tentando desfrutar de um gole da bebida com o intuito de diminuir a temperatura no corpo.
— O seu estômago não está muito bem; não deveria beber. — As palavras do garoto emergiram.
Renata petrificou, surpresa diante dele; como ele sabia sobre os desconfortos...?
— Há poucos instantes vi que suas mãos apertavam a barriga por várias vezes. — Cristiano trocou olhares com ela; parecia antever as emoções e apontou com o queixo na direção do estômago da garota.
A surpresa a atingiu; ela sentiu-se um pouco constrangida, afinal não imaginava que o homem houvesse continuado fitá-la em momento algum.
Virou o rosto para baixo e, com seus finos dedos brancos, devolveu a taça de álcool ao seu lugar; nem ela sabia explicar o motivo para a tamanha subordinação àquelas palavras.
Cristiano enxergou aquele formato similar a um gatinho arredio e seu coração pesou.
Ele rebaixou o tom da voz.
— Não há nada mais importante que a sua saúde, não vale a pena machucar a si própria por conta dessas pessoas incômodas. Você compreende?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...