— Desculpe o incômodo, Sr. Lopes, eu mesma posso subir, o senhor...
— Não foi nada, eu acompanho você. Não me sinto seguro deixando-a ir sozinha assim.
Cristiano a observou, o olhar obscurecido diante do rosto pálido e abatido da garota.
Renata prendeu a respiração, sentindo que não era o momento para falar mais nada.
— Então... muito obrigada.
— Não é incômodo algum.
Cristiano a ajudou a se levantar. Suas mãos grandes e firmes agarraram os ombros dela. O calor das palmas dele transpassou a roupa, penetrando diretamente em sua pele.
O coração de Renata falhou uma batida. Sentindo-se envergonhada, ela virou a cabeça e viu a expressão muito séria do homem. Sem saber o que dizer, apenas mordeu o lábio inferior e baixou a cabeça.
Chegando à sala de consultas no segundo andar.
O médico perguntava sobre as condições físicas dela enquanto digitava no computador.
— Doutor, meu estômago é um problema antigo, você só precisa me prescrever algum remédio. — disse Renata.
Antes que ela terminasse de falar, Cristiano a interrompeu sem rodeios:
— Internação de um dia para tomar soro!
Renata fez uma pausa e ergueu os olhos para encará-lo.
Cristiano deu uns tapinhas no ombro dela. Com uma atitude dominadora, mas gentil, era como se lhe dissesse para ser obediente.
Renata ficou ainda mais surpresa. Seus batimentos cardíacos aceleraram incontrolavelmente.
Observando-os, o médico não conseguiu conter o riso e disse a Renata:
— Seu namorado pensou em tudo, ele se preocupa muito com você. Siga o conselho dele e fique internada por um dia!
Renata ficou com as bochechas coradas:
— Ele não é...
— Obrigado, doutor. — interrompeu Cristiano.
O médico sorriu, imprimiu a receita e entregou a ele:
— Sem problemas. Cuide bem da sua namorada.
— Eu... — Renata sentiu-se completamente constrangida.
Cristiano permaneceu calmo e impassível. Pegou a ficha e disse a ela:
— Vamos, ainda tem mais pessoas esperando.
— Melhor chamar uma cuidadora.
O coração de Renata aqueceu. Sem outra opção, ela caminhou até ele, tapou o celular com a mão e disse:
— Eu pedi para Dona Josefa vir me acompanhar, ela pode cuidar de mim. Não precisa chamar mais ninguém.
Antes, quando ela adoecia e ficava muito mal, sempre era a Dona Josefa quem a acompanhava.
O olhar de Cristiano se deteve nos finos e pálidos dedos da moça por um instante. Ele ergueu a cabeça para olhar o rosto dela e cedeu:
— Está bem.
— Então, vista-se, vou sair um pouco.
Renata mordeu os lábios:
— Uhum...
Cristiano a olhou, abriu um sorriso de canto imperceptível, guardou o celular e deixou o quarto.
A porta se fechou suavemente.
Somente então Renata suspirou de alívio e bateu de leve no peito. Fez uma ligação rápida para Dona Josefa e foi trocar de roupa.
Enquanto se vestia, ela pensava: mais tarde perguntaria a Dona Josefa se ela gostaria de trabalhar para ela dali em diante. Já que terminara com Wilson, com certeza não voltaria para a casa dele no futuro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...