Para acalmá-la, Wilson deu um tapinha na mão dela. Ele abriu os lábios finos, pronto para falar.
Ao ver aquilo, o canto dos olhos de Renata ficou vermelho. Seu peito subia e descia, sem aguentar mais aquilo tudo.
— Chega! Será que dá para parar de falar francês! Não sabem falar a nossa língua?
O grito rouco de raiva fez Wilson e Sabrina ficarem atordoados.
Sabrina deu um risinho e resmungou em francês: — Irmão, tá vendo? Com você aqui, ela já é assim. Quando você não tá, ela é ainda pior comigo!
Wilson franziu a testa, sem dizer nada.
Renata encarava Sabrina. Se pudesse, daria um belo de um tapa nela.
Ela olhou de volta para Wilson e, contendo a raiva, disse palavra por palavra: — Este escritório é meu. Por que eu tenho que dar para ela?
Enquanto falava, ao cruzar o olhar com o do homem, sua garganta deu um nó.
De indignação.
Como não ficar indignada?
Ele não sabia o que esse escritório significava para ela?
Ele tinha se esquecido do que havia prometido a ela?
— Este escritório é o mais perto do seu, vou trabalhar daqui, o que acha?
Na época, o rosto dela estava cheio daquele amor de menina.
Ele acariciou a bochecha dela e concordou com uma voz gentil.
— Claro, onde você quiser.
Aquelas palavras foram como uma pedra caindo num lago dentro do coração dela, criando ondas por toda a superfície.
Ela tinha ficado tão feliz, abaixado os olhos com vergonha, levado as mãos para as costas, andado até a parede esquerda do escritório e dito alegre: — Vou botar um armário aqui depois. Vou guardar tudo que você me deu nele, assim, sempre que eu olhar para cima, vou poder ver tudo!
...
Saindo das lembranças.
Renata olhou para o homem na sua frente, por quem ela já havia sido completamente apaixonada. Agora, ela só sentia tristeza e dor.
— Eu não vou sair.
Wilson encarou os olhos teimosos dela. Eles estavam úmidos, como se algo estivesse prestes a cair a qualquer momento. Ele sentiu uma pontada no coração, uma dor que não sabia explicar.
Um sentimento estranho.
Afinal, ela ia embora em breve de qualquer jeito!
Tendo dito isso.
Ela andou até a frente, passou no meio dos dois, entrou no escritório e pegou os documentos importantes e seu tablet que estavam na mesa.
Então, saiu de lá sem hesitar.
Ela nem sequer olhou para as coisas que ele a havia dado, que ela guardava na prateleira como preciosidades, nem para a foto deles na mesa.
Apenas avisou a mulher da limpeza: — Moça, não quero mais as outras coisas, por favor jogue tudo fora quando for limpar!
Sabrina olhou para a cena, abrindo um sorrisinho.
Wilson, por outro lado, franziu bem a testa. Principalmente quando ouviu as palavras "não quero" e "jogue tudo fora", seu rosto ficou um pouco sombrio.
Mas ela valorizava tanto aquelas coisas antes!
Ele também não sabia por que se importava.
Ao vê-la passar.
Ele não conseguiu se conter, foi até a frente e a impediu de passar: — Renata...

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