Wilson entendeu, assentiu e disse: — Faça o macarrão, eu sei o que fazer.
— Tudo bem.
Dona Josefa concordou, mas logo se lembrou da caixa de presente e dos documentos e disse: — Ah, patrão...
Wilson já tinha saído. A silhueta alta e elegante permanecia a mesma, mas era nítida a atmosfera pesada ao seu redor.
Vendo isso, Dona Josefa não falou mais nada. O clima da noite estava mesmo tenso, então decidiu falar outra hora e foi cozinhar o macarrão.
...
Ao subir, Wilson parou um momento diante do quarto, hesitando se deveria entrar.
No final, não entrou.
Estava com medo de fazê-la chorar de novo.
Ele pensou em conversar melhor com ela no dia seguinte e foi trabalhar no escritório.
Contudo, ficou lá sentado por duas horas, sem conseguir ler nem um e-mail; só pensava em Renata...
Era a primeira vez que uma mulher o incomodava daquele jeito.
Nem mesmo Sabrina.
Wilson soltou um suspiro profundo, encostou-se na cadeira e massageou a testa...
...
No dia seguinte.
Wilson voltou da corrida matinal, tomou banho e foi até a porta do quarto principal como de costume. Lembrando-se do que havia acontecido na noite anterior, não abriu a porta direto como antes, mas bateu primeiro.
Ele não percebeu essa pequena mudança. Ele se esqueceu que sempre foi autoritário.
No entanto, ninguém atendeu lá de dentro.
Wilson franziu a testa, bateu mais algumas vezes e, como Renata não respondeu, abaixou a maçaneta e abriu.
— Renatinha...
Assim que falou, olhou para a cama limpa e arrumada, e sua voz falhou.
Ele parou, olhando com o cenho franzido para o quarto vazio, e o coração afundou. Uma ideia absurda surgiu em sua cabeça...
Renata havia ido embora.
Como isso seria possível?
Wilson apertou os lábios, indo ao closet e ao banheiro para checar.

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