Francamente, era um tanto cômico. Quando ela era apaixonada por ele, implorava pela companhia dele para visitar a irmã e ele se recusava. E agora, que ela não o amava mais, ele não parava de grudar nela.
Mas ela já estava na porta.
Como não havia nada que pudesse dizer, apenas o deixou ir junto.
Ela empurrou a porta do quarto.
Soraia Rocha estava encostada na cama fazendo um bordado, enquanto Sérgio Viana jogava pelo celular.
Ao escutarem o ruído, os dois viraram a cabeça simultaneamente e se surpreenderam ao ver Wilson. Sérgio, em especial, ficou perplexo.
Ele largou o aparelho e tratou logo de colocar água com toda a presteza. — Sr. Lopes, por favor, sente-se...
Em contraste, o tom de Soraia foi consideravelmente mais seco. Nesses últimos dias, ela havia notado claramente a mudança nos sentimentos de Renata por Wilson. — Sr. Lopes...
Wilson acenou com a cabeça para responder e, ao inspecionar as condições do quarto, franziu a testa.
Além do mais, a recepção fria de Soraia não passou despercebida por ele.
Antes, por conta de Renata, Soraia sempre agia de maneira submissa a ele.
Por que isso havia mudado?
Os olhos de Wilson escureceram. Ele caminhou para frente e disse.
— Andei ocupado nesses últimos dias e não pude vir antes. Eu não fazia ideia de que as condições aqui eram assim. Minhas desculpas. Logo mais mandarei alguém tratar da papelada para transferi-la para o Hospital Memorial da Alvorada. A infraestrutura de lá é superior a esta.
Ao ouvir isso, Renata fitou-o com os olhos sem vida. Ela simplesmente deixou as frutas em cima da cômoda...
Soraia fez uma pausa e recusou sem levantar a cabeça. — Não é preciso! Eu já me habituei com este quarto!
A intenção evidente de afastar-se naquelas palavras não passou batida por Wilson.
Mas ele não era o tipo de homem que pedia favores duas vezes. Ele rebateu com frieza: — Certo. Contanto que você esteja acostumada. Se precisarem de alguma coisa, podem me telefonar.
O sorriso de Soraia foi fraco. — Está bem.
— ...
Eles trocaram mais meia dúzia de formalidades.
Ao longo de todo o tempo, Renata não abriu a boca para intervir. O rosto estava tranquilo.
Sérgio se calou, asfixiado pelas acusações. Sem conseguir rebater as ofensas de tanta raiva, os olhos tortos dilataram-se totalmente.
Para ele, não havia nada acima de tirar proveito da situação. Além de que, aproximar-se do poder de Wilson valia completamente a pena. Sacrificar a Renata para isso parecia um negócio excelente!
No mais, isso tudo não passava do que ela devia para ele!
Sérgio sacudiu os braços de raiva.
— Tá certo, tá certo. Cale a boca logo. É impossível chegar a um acordo com você!
Soraia também continuou indignada, e prevendo uma tragédia, disparou. — Sérgio, põe a tua cabeça no lugar, não ouses bancar o maluco e não tente se encontrar com o Wilson! O passado da Renata provavelmente é confuso, não se envolva! Pode sobrar uma catástrofe que você não poderá limpar!
— Agindo assim, você tem o destino traçado para permanecer miserável!
Sérgio resmungou e, girando a maçaneta da porta, rumou para procurar o anel vasculhando a casa inteira.
Ele não era nenhum palhaço, e notava perfeitamente o esfriamento na relação de Renata e Wilson.
Isso indicava que precisava elaborar um plano depressa. Se a mina de ouro de Renata fosse descartada em vão, ele não sairia ganhando nada.
Assim que o anel estivesse nas mãos dele, iria até o Cristiano Jardim sem piscar!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...