Wilson a abraçou por trás, envolvendo a cintura fina, e disse em voz baixa:
— Renata, eu não sabia que essas roupas eram um presente para mim. Sinto muito por não ter valorizado seus sentimentos.
O corpo de Renata enrijeceu, e uma pontada de tristeza a atingiu...
Wilson a virou, abraçando-a contra o próprio peito, soando como se quisesse mimá-la:
— Da próxima vez que eu te der um presente, você me recusa. Pode recusar várias vezes para descontar a raiva, tudo bem?
Wilson já era muito bonito por natureza, e quando tratava uma mulher com tanto dengo, até uma freira cederia.
Renata, sensível como era, não demorou muito para perder as forças. Uma mistura de amargura e doçura invadiu seu coração, e seus olhos se encheram de lágrimas.
Ela ergueu a cabeça e olhou para ele, meio impotente.
— Wilson, por favor, não faça isso...
Wilson olhou para baixo, fitando-a com uma intensidade profunda, enquanto seus dedos longos acariciavam suavemente o rosto dela.
— Renata, estou falando sério. Eu quero ver você feliz...
A respiração de Renata falhou. Ela fechou os olhos, e seus cílios finos tremeram como pequenos leques...
Ao ver isso, Wilson não a pressionou. Ele afrouxou o abraço e soltou-a.
— Renata, eu não vou te forçar. Vamos com calma.
"Com calma"... Essas palavras realmente soavam muito bonitas.
Mas será que eles tinham mesmo um futuro?
Não tinham.
Renata ficou em silêncio e saiu do quarto. Depois de um tempo tentando se recompor, foi limpar a cozinha.
Quando Wilson saiu, já vestido, Renata estava inclinada, limpando a bancada.
Ouvindo o barulho, Renata levantou o olhar e viu o terno que não tinha conseguido lhe entregar no ano passado. Agora, ele estava vestindo aquelas roupas. Seus olhos esquentaram ligeiramente, invadidos por uma forte emoção.
Wilson percebeu o olhar dela e disse com a voz branda:
— As roupas serviram muito bem. Obrigado.
Renata parou, apertando instintivamente o pano que segurava.
Depois de um tempo, ela abaixou os olhos e continuou limpando a bancada, ignorando o assunto.
— Já está tarde, é melhor você ir embora...
Wilson hesitou por um momento, mas não retrucou as palavras dela. Em vez disso, aconselhou carinhosamente:
— Tenho alguns problemas na empresa que preciso resolver agora. Se precisar de qualquer coisa, me ligue a qualquer hora.

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