O turbilhão de emoções durou até tarde da noite, quando Renata Rocha finalmente conseguiu dormir.
Na manhã seguinte, com medo de ir ao café e ser encurralada por Wilson Lopes novamente, ela decidiu ficar em casa desenhando.
Leonardo Neves fez uma videochamada para pedir que ela desse uma olhada nos rascunhos revisados após a última discussão deles.
— Eu acho que ficou ótimo. — Renata deu uma olhada e achou o trabalho muito bom.
— O que foi? Pegou um resfriado? Sua voz está estranha e você parece abatida. — Leonardo percebeu que havia algo errado com a voz dela.
Renata parou por um instante. Estava tão na cara assim?
Ela estava prestes a dar uma desculpa.
— É por causa do Wilson? — Leonardo se antecipou.
— Ele foi atrás de você? — continuou ele.
— ...
Ele havia acertado em cheio.
— Você deveria virar vidente. — Renata deu um sorriso sem graça, apoiando a testa com a mão em tom de brincadeira.
— Não tente mudar de assunto. O que diabos está acontecendo entre vocês? — Leonardo estalou a língua e assumiu um tom sério.
Renata suspirou, pensou um pouco e, no fim das contas, contou a ele tudo o que havia acontecido nos últimos dias.
Ao ouvir o relato, Leonardo soltou uma exclamação, soando bastante satisfeito com a desgraça alheia.
— Bem feito para ele! Renatinha, vou te dizer uma coisa: não volte para ele de jeito nenhum. Deixe o Wilson rastejar e correr atrás, não importa se ele está sendo sincero ou não, apenas não reatem!
Renata escutou em silêncio, um pouco distraída, apertando o celular com força, até que finalmente respondeu com um murmúrio suave.
— Eu entendo, Leonardo.
— Que bom que entende. Qualquer coisa, me avise. Além disso, prepare-se bem para o torneio; faltam poucos dias e isso é o que realmente importa.
— Tudo bem!
Renata concordou. O torneio ocupava o primeiro lugar em suas prioridades.
Depois disso, Leonardo tinha assuntos da empresa para resolver e foi trabalhar.
Ela desligou a videochamada.
Renata pousou o celular, perdeu-se em pensamentos olhando pela janela por um tempo, e então voltou a mergulhar nos desenhos.
No entanto, algumas coisas são como uma tortura; quanto mais você tenta esquecê-las, mais elas se recusam a sumir, vagando sem parar pela sua mente.
Especialmente quando Wilson ainda lhe enviava mensagens:
[Tenho uma reunião internacional esta manhã, então não poderei te acompanhar no café. Pedi para entregarem o almoço para você, lembre-se de comer mais tarde.]
[O que acha de eu ir te buscar ao meio-dia? Você não gosta de peixe? Ouvi o Camilo dizer que há um restaurante excelente por perto que prepara um ótimo prato.]
[...]
Renata lia as mensagens com o coração turbulento como nuvens revoltas. Ela chegou a ficar paralisada por um momento, segurando o celular enquanto seus pensamentos viajavam para longe.
Durante os últimos três anos, Wilson esteve sempre ocupado com a carreira ou fazendo companhia a Sabrina Silveira. O tempo que restava para ela era ínfimo. Ele não tinha tempo nem para passar o aniversário ao seu lado, quanto mais em outras ocasiões. Comer sozinha, ir ao hospital sozinha, ficar sozinha... era o normal.
E agora... ele estava ali, tão prestativo, tentando acompanhá-la e procurando restaurantes de acordo com os gostos dela.
[Com quantos caras você já dormiu? Já deve estar toda arrombada, e ainda fica se fingindo de puritana.]
Renata arregalou os olhos e quase deixou o celular cair no chão pelo susto.
Ainda abalada, levou alguns segundos para se recompor, apertando o celular com força, consumida por uma raiva avassaladora.
Seu sexto sentido dizia que era a mesma pessoa da última vez.
A quem ela tinha ofendido recentemente?
Após pensar por um momento, ela simplesmente denunciou o número.
No entanto, mesmo depois de fazer isso, um desconforto persistia em seu peito, e sentia calafrios repentinos percorrendo sua espinha...
Renata franziu a testa profundamente.
...
Meia hora depois, o carro parou em frente à galeria de exposições no centro da cidade.
Renata pagou a corrida e desceu. Foi apenas ao respirar o ar fresco que ela se sentiu um pouco melhor. Caminhou até a bilheteria, teve o ingresso verificado e entrou para visitar o local.
Ela não percebeu que havia alguém a seguindo de perto o tempo todo. Essa pessoa também passou pela verificação de ingresso e entrou, vestida de preto dos pés à cabeça, usando óculos escuros e exalando uma aura sombria e fantasmagórica.
...
A exposição daquele dia era organizada por um colecionador. Todas as peças eram particulares, obras que jamais seriam vistas em um museu comum.
Havia algumas peças das quais Renata gostava bastante, a ponto de perguntar aos funcionários onde estavam para ir vê-las de perto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...