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Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir romance Capítulo 209

O turbilhão de emoções durou até tarde da noite, quando Renata Rocha finalmente conseguiu dormir.

Na manhã seguinte, com medo de ir ao café e ser encurralada por Wilson Lopes novamente, ela decidiu ficar em casa desenhando.

Leonardo Neves fez uma videochamada para pedir que ela desse uma olhada nos rascunhos revisados após a última discussão deles.

— Eu acho que ficou ótimo. — Renata deu uma olhada e achou o trabalho muito bom.

— O que foi? Pegou um resfriado? Sua voz está estranha e você parece abatida. — Leonardo percebeu que havia algo errado com a voz dela.

Renata parou por um instante. Estava tão na cara assim?

Ela estava prestes a dar uma desculpa.

— É por causa do Wilson? — Leonardo se antecipou.

— Ele foi atrás de você? — continuou ele.

— ...

Ele havia acertado em cheio.

— Você deveria virar vidente. — Renata deu um sorriso sem graça, apoiando a testa com a mão em tom de brincadeira.

— Não tente mudar de assunto. O que diabos está acontecendo entre vocês? — Leonardo estalou a língua e assumiu um tom sério.

Renata suspirou, pensou um pouco e, no fim das contas, contou a ele tudo o que havia acontecido nos últimos dias.

Ao ouvir o relato, Leonardo soltou uma exclamação, soando bastante satisfeito com a desgraça alheia.

— Bem feito para ele! Renatinha, vou te dizer uma coisa: não volte para ele de jeito nenhum. Deixe o Wilson rastejar e correr atrás, não importa se ele está sendo sincero ou não, apenas não reatem!

Renata escutou em silêncio, um pouco distraída, apertando o celular com força, até que finalmente respondeu com um murmúrio suave.

— Eu entendo, Leonardo.

— Que bom que entende. Qualquer coisa, me avise. Além disso, prepare-se bem para o torneio; faltam poucos dias e isso é o que realmente importa.

— Tudo bem!

Renata concordou. O torneio ocupava o primeiro lugar em suas prioridades.

Depois disso, Leonardo tinha assuntos da empresa para resolver e foi trabalhar.

Ela desligou a videochamada.

Renata pousou o celular, perdeu-se em pensamentos olhando pela janela por um tempo, e então voltou a mergulhar nos desenhos.

No entanto, algumas coisas são como uma tortura; quanto mais você tenta esquecê-las, mais elas se recusam a sumir, vagando sem parar pela sua mente.

Especialmente quando Wilson ainda lhe enviava mensagens:

[Tenho uma reunião internacional esta manhã, então não poderei te acompanhar no café. Pedi para entregarem o almoço para você, lembre-se de comer mais tarde.]

[O que acha de eu ir te buscar ao meio-dia? Você não gosta de peixe? Ouvi o Camilo dizer que há um restaurante excelente por perto que prepara um ótimo prato.]

[...]

Renata lia as mensagens com o coração turbulento como nuvens revoltas. Ela chegou a ficar paralisada por um momento, segurando o celular enquanto seus pensamentos viajavam para longe.

Durante os últimos três anos, Wilson esteve sempre ocupado com a carreira ou fazendo companhia a Sabrina Silveira. O tempo que restava para ela era ínfimo. Ele não tinha tempo nem para passar o aniversário ao seu lado, quanto mais em outras ocasiões. Comer sozinha, ir ao hospital sozinha, ficar sozinha... era o normal.

E agora... ele estava ali, tão prestativo, tentando acompanhá-la e procurando restaurantes de acordo com os gostos dela.

[Com quantos caras você já dormiu? Já deve estar toda arrombada, e ainda fica se fingindo de puritana.]

Renata arregalou os olhos e quase deixou o celular cair no chão pelo susto.

Ainda abalada, levou alguns segundos para se recompor, apertando o celular com força, consumida por uma raiva avassaladora.

Seu sexto sentido dizia que era a mesma pessoa da última vez.

A quem ela tinha ofendido recentemente?

Após pensar por um momento, ela simplesmente denunciou o número.

No entanto, mesmo depois de fazer isso, um desconforto persistia em seu peito, e sentia calafrios repentinos percorrendo sua espinha...

Renata franziu a testa profundamente.

...

Meia hora depois, o carro parou em frente à galeria de exposições no centro da cidade.

Renata pagou a corrida e desceu. Foi apenas ao respirar o ar fresco que ela se sentiu um pouco melhor. Caminhou até a bilheteria, teve o ingresso verificado e entrou para visitar o local.

Ela não percebeu que havia alguém a seguindo de perto o tempo todo. Essa pessoa também passou pela verificação de ingresso e entrou, vestida de preto dos pés à cabeça, usando óculos escuros e exalando uma aura sombria e fantasmagórica.

...

A exposição daquele dia era organizada por um colecionador. Todas as peças eram particulares, obras que jamais seriam vistas em um museu comum.

Havia algumas peças das quais Renata gostava bastante, a ponto de perguntar aos funcionários onde estavam para ir vê-las de perto.

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