Renata, entretanto, franziu as sobrancelhas. Aquele cheiro de perfume feminino impregnado nele a deixava desconfortável e constrangida. Para piorar, as mãos dele não ficavam quietas; depois de acariciar seu rosto, desceram lentamente seguindo a linha do pescoço.
Ela não pôde evitar pensar: será que ele não tinha conseguido se aliviar com Sabrina e, por isso, voltara para usá-la como passatempo?
O coração de Renata se encheu de amargura.
Ela não tinha a menor vontade de servi-lo!
Ela virou o rosto, bloqueando aquela mão inquieta, e disse friamente:
— Descanse um pouco, vou preparar um chá para curar a ressaca.
Dizendo isso, empurrou-o, desceu da cama e saiu.
Wilson não suspeitou de nada. Achando-a atenciosa, sorriu e deitou-se na cama perfumada dela, imaginando como seria aquela noite...
Pouco depois, Renata voltou segurando uma xícara de chá.
Wilson pegou a xícara e deu um gole. O sabor era amargo e áspero, muito diferente do que ela costumava fazer. Ele achou o gosto bastante desagradável.
Engolindo com uma careta, ele não insistiu no segundo gole. Colocou a xícara na mesa de cabeceira, levantou os olhos para Renata e perguntou baixinho: — Não foi você quem fez?
Com uma expressão indiferente, Renata sentou-se no sofá, bem longe dele. Alisou a camisola e respondeu com preguiça: — Não importa quem fez, dá no mesmo...
Wilson paralisou por um instante.
Se, àquela altura, ele ainda não tivesse percebido a frieza dela, seria obtuso demais.
Ele se levantou da cama, aproximou-se, ergueu o pequeno rosto dela e o acariciou, perguntando: — Ainda está com raiva porque não fiz companhia a você hoje à noite?
— Tenho andado um pouco ocupado ultimamente. Quando chegar o fim de semana, ficarei com você, tudo bem?
Mesmo naquele momento, ele continuava mentindo.
O que, afinal, ela significava para ele?
Renata olhou-o fixamente por um tempo, até seus olhos arderem e seu coração gelar completamente.
Ela afastou a mão dele, respirou fundo e disse: — Não estou com raiva... É que estou naqueles dias, não estou me sentindo bem. Estou um pouco cansada.
Wilson hesitou ao ouvir aquilo, mas não duvidou. Sabia que ela sempre ficava indisposta durante o período menstrual.
— Renatinha, enquanto estava fora hoje, só conseguia pensar em você! Isso nunca aconteceu antes. Diga, você me deu alguma poção do amor? ...Hum?
O toque dele fez Renata estremecer dos pés à cabeça, e o aroma refrescante dele invadiu sua respiração. Ao ouvir aquelas palavras, seus cílios tremeram, e um turbilhão de emoções contraditórias a atingiu.
Se fosse no passado, diante de tanta gentileza, ela certamente se aconchegaria obediente, permitindo-lhe fazer o que quisesse.
Mas agora, ela apenas sentia humilhação. O cheiro dele a enojava. Ele tinha acabado de tocar Sabrina e, em seguida, viera tocá-la. Era revoltante!
Renata puxou o ar de leve, virou o rosto, segurou aquela mão indiscreta e disse com a voz trêmula:
— Wilson, estou realmente cansada. Quero descansar!
Ficou evidente que Wilson não estava satisfeito.
Em silêncio, ele segurou a mão dela e massageou-a, chamando-a de "Renatinha" com doçura, deixando sua intenção bastante óbvia.
Renata mordeu o lábio inferior e não se virou!
Wilson a observou silenciosamente por dois segundos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...