No instante seguinte, a porta se abriu. Clara Belfort, trajando um terno feminino e com uma expressão sombria, desceu do veículo. Um olhar mais atento revelaria que seus olhos estavam levemente avermelhados. Fuzilando Renata com o olhar, Clara caminhou a passos largos na direção dela, como se quisesse despedaçá-la, e desferiu-lhe duas bofetadas com força.
— Você é mesmo atrevida para ousar ferir o meu irmão! Você tem ideia de que ele está lutando pela vida na UTI por sua causa?
Renata nem sequer teve tempo de desviar e sofreu os golpes em cheio. Ao ouvir aquilo, seu cérebro sofreu um colapso e ela ficou estática, sem reação.
Caio estava em reanimação na UTI?
Tão grave assim?
Pálida, Renata mordeu os lábios.
Nunca havia vivenciado nada parecido. Seria mentira dizer que não estava apavorada.
Contudo, a mais inocente daquela história era ela!
Com os olhos lacrimejando, ela retrucou:
— Foi ele quem me assediou primeiro!
Clara riu com escárnio, avançando e agarrando-a pelo colarinho, desejando sufocá-la com as próprias mãos.
— E você acha que é o quê? Acha que pode se comparar ao meu irmão? Se ele matasse dez como você para brincar, ainda não seria nada!
A mente de Renata se apagou por um segundo.
Clara soltou um muxoxo, deu um passo para trás e ordenou aos seguranças corpulentos ao seu redor:
— Coloquem ela no porta-malas.
As pupilas de Renata se dilataram. O único instinto que lhe restava era fugir.
Mas aqueles seguranças eram profissionais. Em questão de segundos, a agarraram com firmeza, imobilizando-a enquanto a arrastavam em direção ao porta-malas de um dos veículos.
Como um peixe fora d'água, Renata se debatia em vão. Naquele momento, o medo estava prestes a engoli-la; ela gritou por socorro com a voz trêmula...
Porém, no estacionamento vazio, as únicas almas presentes eram eles. Ninguém viria resgatá-la.
Os seguranças abriram o porta-malas e começaram a empurrá-la para dentro.
Clara observava tudo com o olhar gélido.
Nesse momento de tensão máxima, o som das sirenes policiais ecoou pela entrada do estacionamento.
Clara franziu o cenho instantaneamente.
Não querendo confusão, os seguranças largaram Renata e recuaram.
Renata, exausta, desmoronou no chão assim que foi solta.
Reunindo as últimas forças, ela tentou endireitar o corpo e olhou para a viatura com o giroflex ligado. As lágrimas ameaçavam transbordar...

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