Sem entender, Renata pegou a xícara de chá com um semblante confuso.
Ela observou enquanto Leonardo abria o notebook ao seu lado. Após alguns cliques, uma imagem surgiu na tela.
Eram as imagens da câmera de segurança da entrada principal do Restaurante Recanto das Flores.
Pouco depois, um Bentley familiar se aproximou lentamente, aparecendo no vídeo.
A porta do carro se abriu e o homem que pouco antes havia lhe dito que iria trabalhar na empresa desceu. Logo atrás dele, saiu Sabrina Silveira, com uma maquiagem leve e vestindo um elegante vestido de alta-costura em tom creme, impecavelmente arrumada.
Após descerem do veículo, os dois entraram juntos no restaurante, com os braços quase se roçando, sussurrando um no ouvido do outro vez ou outra, como se fossem um casal apaixonado.
Em seguida, guiados pelo garçom, seguiram para a sala privada número um.
Durante o trajeto, ao passarem pela sala número dois, ainda foi possível ouvir vagamente a conversa dos dois através da porta.
A voz da mulher revelava ansiedade: — Não sei se o Professor Miranda vai concordar... Estou um pouco nervosa.
O homem a confortou com suavidade: — Não se preocupe, eu estou aqui.
— ...
Renata sentiu como se tivesse sido atingida por um raio, e seu rosto perdeu a cor de forma abrupta.
Em transe ao escutar o consolo afetuoso do homem, ela pensou, ironicamente, que naqueles últimos dias, ele a tratara com a mesma gentileza cuidadosa.
Ele também havia dito que não voltaria a ver Sabrina, que todos os assuntos envolvendo ela seriam repassados para o secretário Camilo... Naquele momento, ela havia ficado verdadeiramente tocada.
Mas, no fim das contas, ele não conseguia se afastar de Sabrina!
De repente, Renata sentiu uma profunda humilhação!
Vendo que o estado emocional dela havia mudado, Leonardo suspirou suavemente, mas não pausou o vídeo. Ele segurou o mouse e, com alguns movimentos, mudou de tela.
No instante seguinte, a cena que se desenrolava na sala privada número um apareceu no visor.
Os cílios de Renata tremeram de leve, e ela fechou os dedos em punhos apertados...
...
Na sala privada número um, ao lado.
Quando Wilson entrou acompanhado de Sabrina, Mauro Miranda e seu secretário, André Santos, já estavam esperando.
Ao ver os dois, André sorriu e os cumprimentou.
Mauro, por sua vez, apenas assentiu de leve; ele sempre fora um homem frio.
— Eu sei que o senhor está organizando uma exposição ultimamente. Considere isto uma pequena demonstração do meu apoio. Mais adiante, o Grupo Lopes também fará investimentos no projeto.
Aquilo, sem dúvida, era uma enorme prova de boa vontade!
André Santos tinha vasta experiência na área, mas era a primeira vez que via alguém agir com tamanha extravagância. Naquele instante, o olhar que lançou para Sabrina estava tingido de espanto.
Sabrina sentiu-se bastante triunfante.
Ela sorriu, convicta de que aquela vaga já era sua!
Atrás da tela do computador, ao presenciar aquela cena, o coração de Renata tornou-se gélido. Completamente pálida, encarava o monitor, querendo rir, mas também chorar...
Eram vinte milhões.
Somados aos vinte milhões que ele já havia dado aos organizadores anteriormente, totalizavam quarenta milhões.
Para conseguir uma vaga para Sabrina, Wilson estava atirando aquela enorme quantia com a mesma facilidade de quem joga água no chão.
Ele nunca fora tão generoso com ela, tampouco tão obstinado!
Além disso, ele a vira no local do evento da última vez. Antes de fazer tudo isso por Sabrina, não havia pensado sequer em perguntar se ela também não iria participar do Grande Prêmio Nacional de Design...
Os olhos escuros de Renata vacilaram. Consumida por uma amarga injustiça, não conseguiu se segurar: levantou-se abruptamente, decidida a ir até a sala vizinha...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...