Pensando assim, Wilson Lopes segurou a mãozinha em seu rosto, impedindo-a de continuar acariciando.
Ele deu um leve sorriso e disse com a voz suave: — Não é nada, só tenho uns assuntos na empresa daqui a pouco e preciso ir. Não poderei fazer companhia a você.
O coração de Renata Rocha amoleceu. Embora fosse inevitável sentir um pouco de decepção, ainda havia uma doçura naquilo.
Ela não suspeitou de nada. Abraçando-o levemente, respondeu: — Não tem problema, o trabalho é mais importante. Pode ir.
Diante de tamanha docilidade, Wilson não conseguiu se conter. Ele tocou suavemente os lábios dela e disse: — Como a minha Renatinha é tão perfeita... O que eu faço? Nem fui embora e já estou com saudades.
Se aquelas palavras eram verdadeiras ou falsas, nem ele mesmo sabia distinguir.
O rosto de Renata corou levemente. Incapaz de resistir àquela provocação, ela escondeu o rosto na curva do pescoço dele e murmurou: — Não olhe para mim desse jeito...
Aquele charme delicado fez Wilson perder um pouco o controle. Ele não resistiu e deslizou as mãos pela cintura fina dela, acariciando-a.
Afinal, ele carregava os instintos masculinos e sentiu desejo.
Mas não havia se esquecido dos seus compromissos.
Reprimindo aquele ímpeto, ele soltou um longo suspiro, afastou-a de seu corpo e disse com a voz grave:
— Já está tarde, vou indo. Qualquer coisa, me ligue.
Renata sentou-se ao lado, assentindo com o rosto ruborizado. Sua cintura ainda guardava o calor das palmas dele, muito quente...
Wilson levantou-se, ajeitou a camisa, vestiu o paletó e, antes de sair, beliscou levemente a bochecha dela mais uma vez.
Naquele momento, Renata sentiu uma súbita relutância em deixá-lo ir. Ela abraçou a cintura dele, apertando o rosto contra o seu peito, e sussurrou: — Volte cedo...
O coração de Wilson amoleceu.
Com a garota sendo tão afetuosa, ele não podia ser insensível.
Após pensar um pouco, ele ergueu o queixo dela e propôs: — Que tal comemorarmos nosso aniversário de namoro de novo esta noite, naquele mesmo restaurante? Para compensar a última vez.
Ao ouvir isso, Renata ficou surpresa, mas não pôde conter a alegria. Achava que ele já tinha se esquecido do que havia acontecido, mas ele sempre se lembrou...
— Está bem.
Wilson sorriu.
Nesse momento, o celular tocou novamente, numa clara insistência.
Wilson acariciou a bochecha dela e partiu.
Renata o acompanhou até a porta, relutante em vê-lo partir. Aquele devia ser o sentimento de toda garota apaixonada diante de uma despedida.
O tom de Leonardo era muito solene. Renata não ousou se atrasar. Desligou o telefone, trocou de roupa e pegou o carro de Wilson em direção ao Recanto das Flores.
...
Meia hora depois, no Restaurante Recanto das Flores.
Como Wilson ainda precisava buscar Sabrina Silveira, Renata acabou chegando antes.
Naquele momento, ela ainda não sabia o que a aguardava.
Guiada pelo garçom, ela foi até a sala privada número dois.
Ao empurrar a porta, viu que Leonardo já a esperava. Ele estava sentado numa cadeira com uma perna dobrada, olhando para o celular com uma expressão indecifrável. Havia uma xícara de chá na mesa ao seu lado.
Ao ouvir o som da porta se abrindo, ele ergueu os olhos para encará-la. Estava um pouco irritado, mas, como era mais velho, entendia que uma garota de vinte e poucos anos não conseguiria se controlar diante do homem que amava.
Ele suspirou e acenou para ela: — O que está esperando? Venha sentar.
Aquela seriedade de Leonardo fez o coração de Renata acelerar de apreensão. Ela se apressou em ir até ele e sentou-se à sua frente. Após hesitar por um instante, perguntou: — O que houve, Leonardo? Aconteceu alguma coisa? Por que o professor nos chamou aqui? E onde ele está? Ainda não chegou?
Leonardo serviu uma xícara de chá para ela. Ao ouvir as perguntas, lançou-lhe um olhar de soslaio e disse com indiferença: — Você já vai descobrir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...