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Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir romance Capítulo 226

Wilson não via problema algum naquilo; pelo contrário, observar o constrangimento de Renata o fazia sorrir por dentro. Não resistiu a aproximar-se e provocá-la:

— Tão tímida... Como vai ser quando chegarmos em casa?

Eles estavam tão próximos que suas respirações se misturavam, quase como se estivessem se beijando. O rosto de Renata ardeu. Ela deu-lhe um leve tapinha e ralhou suavemente:

— Wilson! Eu vou para a minha própria casa!

Wilson soltou uma gargalhada genuína, beliscou levemente a bochecha corada da mulher, carregando-a até os portões e seguindo em direção ao Bentley estacionado na calçada, enquanto respondia:

— A minha casa é a sua casa.

Aquela frase dita sem pretensão encheu o coração de Renata, pois ainda guardava vívida a lembrança de quando, num passado gélido, ele havia enfatizado:

"Esta é a minha casa."

Agora, ele estava diferente.

Renata o encarou com os olhos levemente marejados. Abraçou-o apertado, aconchegando sua bochecha alva nos ombros firmes de Wilson, com um toque de relutância ao se separarem...

Ambos entraram no carro e partiram.

Nem perceberam o Maybach parado a certa distância dali.

Dentro do carro.

Cristiano acompanhou cada interação terna entre eles, o corpo imerso nas sombras. A fraca iluminação externa delineava o contorno rígido de seu rosto, conferindo-lhe um ar profundamente solitário.

Ele permaneceu ali, letárgico, e somente quando o outro veículo desapareceu, voltou a se mover. Apenas para abaixar a cabeça, tirar um maço do bolso e tentar acender um cigarro. Porém, os dedos longos tremiam a ponto de não conseguirem segurá-lo direito, e precisou de diversas tentativas no isqueiro para enfim acendê-lo...

Um ínfimo clarão alumiou os olhos injetados.

Mesmo para um observador alheio como Caio Faria, a cena doía de se ver, levando-o a perguntar impulsivamente:

— Sr. Jardim, ela tirou as conclusões erradas. O senhor não quer esclarecer os fatos com ela?

Cristiano absorveu uma tragada densa e, após alguns segundos, replicou rudemente:

— Explicar o quê?

A pergunta interrompeu os pensamentos de Caio Faria.

Cristiano decretou:

— De hoje em diante, considere isso como se nunca tivesse ocorrido, e nem ouse procurar por ela para dar explicações.

Apanhado de surpresa, preparava-se para inquirir a motivação daquilo.

Contudo, o chefe saltou para outra pauta:

— E sobre os fatos de três anos atrás? Como ela passou de Sulina para o Setor Norte? Por qual motivo seus pais pereceram? Teve participação da família Jardim?

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