A noite começava a cair.
O Bentley entrava lentamente na vila da Baía Serena.
No banco do carona, Renata olhava para os arredores tão familiares e sentia um leve aperto no peito. Da última vez que esteve ali, partira com o coração cheio de desilusão. Mas agora, retornava com a esperança renascida...
Era difícil pôr em palavras a mistura de sentimentos que a preenchia. Ainda assim, a emoção predominante era a esperança — a expectativa de um futuro brilhante ao lado de Wilson.
O carro parou na garagem.
Renata baixou a cabeça, prestes a soltar o cinto de segurança...
Mas Wilson foi mais rápido. Ele soltou o cinto para ela, enquanto sua mão firme envolveu a cintura fina dela, puxando-a para um abraço.
Ela ergueu o rosto, surpresa. O rubor logo tingiu suas bochechas. Apressada, colocou as mãos sobre a dele, reprimindo aquele toque ousado — afinal, Camilo continuava no carro!
Em um sussurro reprovador, ela murmurou:
— Wilson...
Os olhos dele, no entanto, a fitavam intensos e profundos. Em vez de afrouxar o aperto, ele riu baixinho.
— Você está com o tornozelo machucado, vai ter dificuldade para andar. Eu a levo no colo.
Antes disso, os dois jamais haviam se mostrado tão afetuosos, muito menos na presença de outras pessoas. Renata desviou o olhar, encabulada. Com os dedinhos cravados no ombro de Wilson, ela disse, sem graça:
— Não se preocupe, eu consigo andar...
O constrangimento tímido e recatado a tornava, de certa forma, ainda mais arrebatadora que o próprio abraço.
O olhar de Wilson escureceu sutilmente; ele estava cativado.
Pensou que talvez fosse a clássica vontade de conquista masculina. Ter Renata ali de volta satisfazia profundamente o seu ego.
Encarando-a, Wilson varreu gentilmente alguns fios rebeldes de seu rosto e declarou em um sussurro arrastado:
— Por que a timidez? Não há nada de anormal num abraço entre namorados.
Renata vacilou por um instante e logo mordeu de leve o lábio inferior. Suas mãozinhas, antes fixadas no ombro dele, contornaram seu pescoço num abraço de quem decidira, por fim, render-se.
Um sorriso largo apareceu no rosto de Wilson. Ele empurrou a porta do carro e desceu a abraçando, seguindo a passos largos em direção ao interior da vila.
O baque seco do fechamento da porta ecoou...
Só então Camilo suspirou aliviado e voltou seu olhar através do vidro escurecido pela penumbra. O sorriso do homem em carregar a sua mulher transbordava nítido através do negror que a noite impunha, exalando sua extrema alegria.
Felicidade da qual possivelmente até seu próprio líder fosse desconhecedor.
Realmente deixava de cabelo em pé.

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