No andar de cima, no quarto principal.
Aquele era o quarto de Renata, e, durante os três anos em que estiveram juntos, as vezes em que Wilson havia entrado ali podiam ser contadas nos dedos. Mas, hoje, ele a estava carregando para dentro.
Renata se sentia um pouco tensa.
Wilson não acendeu a luz principal. Colocou-a suavemente na cama e ligou apenas a pequena luminária da mesa de cabeceira. Então, olhou para ela e perguntou:
— Onde está a caixa de primeiros socorros?
Renata, sentada na beira da cama, torcia o lençol entre os dedos e respondeu baixinho:
— Na prateleira, naquela caixa branca na segunda fileira...
Wilson assentiu, pegou a caixa e se ajoelhou sobre uma das pernas diante dela para aplicar o remédio. Sob a luz amarela e acolhedora da luminária, a sombra de sua figura imponente a cobria, criando uma atmosfera romântica, mas, sobretudo, exalando uma profunda sensação de segurança e ternura.
Observar o homem à sua frente agindo com tanto foco e paciência fez o coração de Renata bater mais rápido.
Em um instante fugaz, ela não pôde deixar de lembrar de quando, naquela mesma cama ampla, tivera febre alta e sentira calafrios no meio da noite. Ligou para ele repetidas vezes, mas ele não atendeu. Quando finalmente atendeu, limitou-se a dizer com frieza para ela procurar um remédio e tomar, pois ele estava ocupado... Uma indiferença gélida, como se não fosse problema dele.
Mas agora, ele havia mudado de verdade.
Ela, que o amara tão profundamente, sentia aquilo na própria pele.
As lágrimas teimosas quase subiram aos olhos de Renata.
Ouvindo-a fungar, Wilson parou o que estava fazendo, levantou o olhar e a encarou. Seus olhos profundos, naquela noite silenciosa, carregavam um fascínio magnético:
— Eu te machuquei?
A proximidade entre os dois era tanta que as respirações quase se tocavam, como se fossem os amantes mais íntimos do mundo.
O olhar dela marejou novamente, e, num movimento contido, ela balançou a cabeça de leve, respondendo:
— Não...
Wilson deu um sorriso breve. Talvez a atmosfera estivesse realmente propícia para a ternura, e ele também se deixou levar, tocando-lhe o rosto com suavidade, a voz rouca murmurando:
— Então, o que foi? Conta para mim... hum?
O coração de Renata falhou uma batida. Baixando o olhar, confessou:
Renata respondeu com um "hum". Sentindo o peito palpitar de expectativa, aguardou sua reação, os olhos cintilando de brilho e esperança.
Bastou que Wilson erguesse o olhar para perceber aquilo.
Como se guiado por uma força invisível, ele abriu a boca e decretou:
— Tudo bem. A partir de hoje, deixarei os assuntos de Sabrina nas mãos do Camilo.
Renata ficou atordoada por um segundo, e seu coração disparou incontrolavelmente. A alegria, o estupor... Ele havia acedido ao seu pedido tão simplesmente!
Wilson apertou gentilmente as bochechas dela, seus olhos escuros varrendo os lábios de um vermelho vibrante da moça.
— Feliz agora? Então já é hora de me liberar o acesso, não acha?
Quando ele pronunciou aquelas palavras, sua voz estava visivelmente mais rouca.
Sendo uma mulher adulta, Renata compreendia a insinuação por trás do pedido. Na outra vez, na porta da casa dela, ele quisera beijá-la, mas ela o havia rejeitado.
Trazendo o assunto à tona mais uma vez nesta noite, ficava nítido que ele não pretendia ouvir uma segunda rejeição.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...