Renata, mordendo o lábio inferior, sentia-se um tanto perdida. Para ser sincera, em três anos juntos, eles nunca haviam se beijado...
Wilson pensou que ela ainda não havia aberto totalmente o coração e não a forçou. Ele abaixou a cabeça, depositou um beijo no topo do cabelo dela e disse com a voz rouca:
— Como passamos o remédio no machucado, não tome banho hoje. Vá dormir cedo.
Os olhos de Renata se moveram sutilmente. Na verdade, ela não tinha recusado.
Mas, ao ouvir aquilo, não sabia bem o que dizer, então deitou-se obedientemente, apoiando a bochecha alva no travesseiro.
No entanto, ao notar que ele não tinha saído, e, em vez disso, sentara-se na beirada da cama ao seu lado, o coração dela acelerou.
— V-Você vai dormir aqui esta noite também?
Wilson pegou um lenço de papel para limpar as mãos e abaixou o olhar para encará-la, soltando um sorriso de canto:
— O que foi? Quer que eu fique para te fazer companhia?
Renata corou.
Wilson deu uma risada, jogou o lenço de papel na lixeira e, sem mais provocações, assegurou:
— Só vou embora quando você pegar no sono.
O coração de Renata deu um salto e um calor suave tomou conta de seu peito... Declarações tão ternas e aquela simples companhia eram coisas que ele jamais havia lhe proporcionado no passado.
Isso, somado a tudo que acontecera durante a noite, parecia-lhe saído de um conto de fadas.
Sem acrescentar nenhuma palavra, Renata o fitou por um momento, como se pudesse despejar todo o seu sentimento apenas naquele olhar. Então, ela fechou os olhos, os cílios longos tremulando...
Ela estava realmente exausta, e não demorou muito para adormecer.
Wilson permaneceu sentado ali, velando seu sono. Seus olhos intensos passeavam pelo rosto delicado da moça adormecida.
Na verdade, ainda tinha trabalho para resolver, e não havia planejado ficar. Mas naquele instante, um sentimento o deteve.
Talvez a atmosfera estivesse convidativa demais, e Renata, indiscutivelmente, encantadora.
Como um homem qualquer, era impossível não se sentir cativado por um momento como aquele.
O olhar de Wilson escureceu.
Foi então que o silêncio foi quebrado por um toque de celular. Era Camilo.
Wilson deu uma olhada rápida na tela, percebeu que o barulho fez a moça franzir a testa levemente, e se dirigiu à sacada. Somente após fechar a porta de vidro é que atendeu a ligação:
— Alô. O que foi?
Camilo não tocou no assunto da reunião com o Professor Miranda, abordando outro tópico:
— Sr. Lopes, terminei de investigar a situação envolvendo a Renata e a Família Belfort. Exatamente como o senhor imaginava, foi o Cristiano Jardim. Logo após a sua saída, ele procurou a Família Belfort.
— Se a Renata souber disso, temo que... — Camilo deixou a frase no ar, sabendo que o recado estava dado.
Wilson estreitou os olhos, com a expressão anuviada e o semblante fechado:
— Mantenha em segredo por enquanto.
— Entendido.
— ...
A ligação foi encerrada.
Wilson abaixou o telefone, acendeu um cigarro e olhou em direção ao interior do quarto. A moça adormecida estava deitada na grande cama de forma calma e dócil.



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