Dona Letícia ficou em silêncio...
Um instante depois, ela deu um bufo frio e admitiu:
— Fui eu quem fiz! Qual é o problema?
Wilson Lopes apertou o celular com força.
— Renata é inocente. A senhora não acha que foi cruel demais? Fazer com que tantas pessoas a atacassem na internet!
— Cruel?
Dona Letícia agiu como se tivesse ouvido uma piada.
— Wilson, a palavra "cruel" sair da sua boca chega a ser engraçado. O seu estilo de resolver as coisas é muito mais cruel que o meu!
— O que foi? Está apaixonado por Renata Rocha, é isso? Sentindo pena dela?
O peito de Wilson Lopes se agitou.
Ele franziu a testa e retrucou:
— Só acho que a senhora está se metendo onde não é chamada!
Dona Letícia deu uma risada fria.
— Não estou me metendo à toa. Tenho medo de que você entre fundo demais nessa farsa e acabe não conseguindo sair! Caso contrário, eu nem me daria ao trabalho de colocar aquela songamonga da Sabrina Silveira para participar do concurso!
— Já que você diz que não ama Renata, então fico mais tranquila! Pegarei mais leve nas redes sociais!
A expressão de Wilson estava péssima.
Após desligar o telefone.
Ele continuava com um gosto amargo na boca.
Colocou o celular de lado, acendeu um cigarro, e uma aura sombria pareceu envolvê-lo por completo.
Sua mente viajou para as brigas intermináveis entre Dona Letícia e aquele homem no passado.
O casamento deles havia sido um arranjo comercial, sem amor, baseado puramente em interesses.
Ambos eram profissionais de alto escalão renomados em suas carreiras, carregando um orgulho arraigado e temperamentos terríveis. Por isso, nos anos em que estiveram juntos, brigavam quase todos os dias. Só aparentavam uma breve harmonia quando participavam de jantares e eventos sociais.
Até que o homem não aguentou mais e arrumou uma amante dócil. Com seu gênio orgulhoso, Dona Letícia jamais aceitaria aquilo e armou um escândalo colossal.
A partir de então, os dois se separaram. Ao longo dos anos, quase nunca se viram, a não ser por questões extremamente importantes.
Guardando um rancor profundo, Dona Letícia despejou todo o seu ódio e obsessão sobre o filho. Desde pequeno, incutiu nele a ideia de que não deveria acreditar no amor nem nas outras pessoas, mas sim nos interesses!
Ele havia crescido naquele ambiente permeado por gritos e ambições calculistas.
Por isso, ele sequer sabia o que era o amor.
Acreditar no amor era pior do que acreditar na natureza humana ou nas vantagens pessoais!
— Ultimamente, você tem passado por tantas humilhações ao lado dele, quase perdeu a vaga na competição. Acho que, daqui para frente, ele não vai mais fazer as suas vontades nem te ajudar como antes. Você não vai mais conseguir usá-lo.
— O que eu pensei é: que tal a gente ir embora? Vamos sair daqui. Eu tenho um pouco de dinheiro, o suficiente para te sustentar a vida inteira!
Aquelas palavras perfuraram o coração de Sabrina como agulhas, e ela quase perdeu o controle.
Reprimindo a raiva, ela disse com uma voz mansa:
— Vamos esperar mais um pouco! Quero realizar meu sonho de ser designer, você sabe que eu sempre quis ser uma estilista de elite.
— Essa competição é uma oportunidade. Ouvi boatos de que o chefe de uma equipe de design de ponta estará lá! É a minha chance. Se eu for escolhida por ele, metade do meu sonho estará realizado!
— Então, você pode me esperar só mais um pouquinho?
O homem claramente foi apaziguado.
— Está bem, vou resolver isso agora mesmo.
— Uhum, obrigada.
Sabrina respondeu de forma suave, mas, assim que desligou o telefone, seu rosto endureceu imediatamente.
Ali estava a carreira que ela amava e o homem de quem gostava!
Ela jamais iria embora com ele!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...