Ao sair do hotel, para facilitar a locomoção, Renata entrou no carro de Cristiano.
Quanto ao seu próprio veículo, ficou estacionado lá; à noite ela voltaria para dormir no hotel. Ir para casa e voltar seria um grande incômodo, já que o concurso seria na manhã seguinte e muito tempo seria perdido no trajeto. A organização já havia reservado os quartos para os participantes antecipadamente.
Dentro do carro.
Depois de colocar o cinto de segurança, Renata apontou a direção.
— Sr. Jardim, siga direto por esta rua, no semáforo vire à direita e continue reto por uns trezentos metros, estaremos quase lá...
Ela falou num tom suave, sem perceber nem um pouco o olhar profundo do homem ao seu lado.
Enquanto Cristiano olhava para seu perfil tranquilo, lembrou-se inconscientemente de quando estavam juntos: nos fins de semana, eles saíam para relaxar. Naquela época, também era ele quem dirigia, enquanto ela lhe dava as direções.
A única diferença,
era que, na época, ela o amava profundamente.
E agora, ela o havia esquecido.
— Sr. Jardim?
Sem ouvir resposta por um longo tempo, Renata virou a cabeça, confusa, e deparou-se com aqueles profundos olhos negros. Seu coração errou uma batida na hora.
Ela abaixou os olhos, desconcertada, tossiu levemente e disse:
— Sr. Jardim, vamos...
Os olhos de Cristiano escureceram mais um pouco, suas mãos apertaram o volante; ele a observou por mais alguns segundos antes de desviar o olhar com relutância e arrancar com o carro.
O pomo de adão moveu-se, e ele murmurou, com voz rouca:
— Desculpe, o que você estava dizendo? Não prestei atenção, poderia repetir?
Na verdade, ele tinha escutado perfeitamente; apenas queria ouvir a voz dela mais uma vez.
Sem desconfiar de nada, Renata repetiu as instruções.
Cristiano deu um leve sorriso de canto.
O Maybach misturou-se ao fluxo de veículos, completamente alheio ao Bentley que o seguia de perto.
Dentro do outro carro, Wilson segurava o volante com uma mão, o rosto inexpressivo como águas paradas, enquanto ligava mais uma vez para Renata.
A voz feminina robótica e fria soou de repente no telefone.
Renata o havia bloqueado!
Wilson atirou o celular com força no banco do carona.
...
Vinte minutos depois, o carro chegou ao Restaurante do Pescador.
Renata e Cristiano saíram do carro.
Renata estava prestes a perguntar se, além de peixe, ele não queria comer mais alguma coisa; convidar alguém para almoçar e oferecer só peixe parecia muito modesto.
Com o som de uma buzina de carro, o Bentley preto chegou em alta velocidade e parou ao lado dela.
A porta se abriu e Wilson desceu, envolto em uma aura de frieza.
Renata arregalou os olhos, assustada, recuou alguns passos e perguntou com a testa franzida:
— Wilson, por que me seguiu?
Cristiano avançou, com uma expressão sombria.

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