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Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir romance Capítulo 307

— Dona Adelaide acaba de despertar, o estado dela é um tanto frágil. Daqui a pouco pedirei para que tragam uma alimentação pastosa de fácil digestão para alimentá-la.

— Agradecemos, doutor.

Wilson assentiu com altivez.

— É meu trabalho.

A equipe médica se retirou, instaurando o silêncio no ambiente.

Wilson ajudou a idosa a sentar-se reclinada no travesseiro e perguntou em tom prestativo:

— Como a senhora está se sentindo? Tem vontade de comer alguma coisa?

Ela balançou a cabeça:

— Não quero comer nada, estou sem apetite. Não precisa dar trabalho para ninguém.

Wilson suspirou de leve. Diante de sua avó, ostentava uma paciência formidável:

— Como não vai comer nada?

— Não quero.

— ...

Dona Letícia, sentada em uma cadeira com os braços cruzados, observava a cena, maldizendo-a nos pensamentos: Que velha imortal!

Aborrecida e não desejando prolongar a estadia, levantou-se e falou para Wilson:

— Fique aqui para tomar conta da sua avó, eu vou me retirar. Se houver alguma emergência, é só ligar.

Wilson deixou escapar um som vago de concordância, sem nem virar para encará-la.

Dona Adelaide também jamais concederia-lhe um olhar. Fazia tempos que o atrito entre elas tomava proporções irreconciliáveis. Esperava ansiosamente que ela fosse embora.

Assim que a porta se fechou.

A velhinha abandonou a farsa de enferma e lançou a mão num tapa certeiro contra o ombro de Wilson.

— Me fale logo a verdade! O que houve entre você e a Renatinha? Você maltratou a garota, não foi? E por isso ela não quer mais saber de você?

— Ah, meu rapaz!

— Se eu não tivesse ouvido por trás a sua mãe dizendo ontem que ia arranjar um encontro de família para você, até quando ia me esconder isso?!

A senhora encontrava-se consumida de cólera.

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