— Dona Adelaide acaba de despertar, o estado dela é um tanto frágil. Daqui a pouco pedirei para que tragam uma alimentação pastosa de fácil digestão para alimentá-la.
— Agradecemos, doutor.
Wilson assentiu com altivez.
— É meu trabalho.
A equipe médica se retirou, instaurando o silêncio no ambiente.
Wilson ajudou a idosa a sentar-se reclinada no travesseiro e perguntou em tom prestativo:
— Como a senhora está se sentindo? Tem vontade de comer alguma coisa?
Ela balançou a cabeça:
— Não quero comer nada, estou sem apetite. Não precisa dar trabalho para ninguém.
Wilson suspirou de leve. Diante de sua avó, ostentava uma paciência formidável:
— Como não vai comer nada?
— Não quero.
— ...
Dona Letícia, sentada em uma cadeira com os braços cruzados, observava a cena, maldizendo-a nos pensamentos: Que velha imortal!
Aborrecida e não desejando prolongar a estadia, levantou-se e falou para Wilson:
— Fique aqui para tomar conta da sua avó, eu vou me retirar. Se houver alguma emergência, é só ligar.
Wilson deixou escapar um som vago de concordância, sem nem virar para encará-la.
Dona Adelaide também jamais concederia-lhe um olhar. Fazia tempos que o atrito entre elas tomava proporções irreconciliáveis. Esperava ansiosamente que ela fosse embora.
Assim que a porta se fechou.
A velhinha abandonou a farsa de enferma e lançou a mão num tapa certeiro contra o ombro de Wilson.
— Me fale logo a verdade! O que houve entre você e a Renatinha? Você maltratou a garota, não foi? E por isso ela não quer mais saber de você?
— Ah, meu rapaz!
— Se eu não tivesse ouvido por trás a sua mãe dizendo ontem que ia arranjar um encontro de família para você, até quando ia me esconder isso?!
A senhora encontrava-se consumida de cólera.

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