Wilson olhou para ela, serviu um copo d'água e o empurrou em sua direção. Ficou em silêncio observando-a por um tempo, até que disse:
— Porque eu não consigo abrir mão de você.
— Não quero que a minha mulher tenha que se curvar perante os outros só para conseguir um projeto.
— Isso me machucaria muito...
A respiração de Renata parou por um instante, e seus olhos logo se encheram de lágrimas.
Então ele também sentia dor por ela. Por que motivo a tinha maltratado tantas vezes no passado?
Renata virou o rosto, com a ponta do nariz vermelha.
Wilson puxou-a pelos ombros, fazendo com que ela se apoiasse em seu peito. Renata não queria que ele a visse daquela forma e tentou se desvencilhar, mas não conseguiu. Por fim, fechou os olhos com tristeza.
Os olhos escuros de Wilson eram profundos. Ele enxugou delicadamente as lágrimas dela e sussurrou:
— Renatinha, nestes últimos dias você ficou repetindo que tínhamos terminado, que não queria mais ficar comigo e sendo fria em todos os momentos... Eu nunca te contei, mas, na verdade, isso foi doloroso. Foi a primeira vez que senti o peso terrível que é perder você.
— Renatinha, me dê mais uma chance. Deixe que eu cuide de você e repare os meus erros, por favor.
Ele fez uma pausa, baixou a cabeça, apoiou-a no ombro dela e roçou o nariz com afeto em sua pele, dizendo com a voz rouca:
— Eu não quero te perder!
O coração de Renata estremeceu, oscilando como a maré, pendendo no vazio.
Até então, nunca imaginara que ele, sempre em uma posição de superioridade na relação deles, diria algo daquele tipo.
Conhecia a fundo a personalidade dele e sabia que uma atitude dessas era algo quase impossível para ele.
No entanto, depois de tudo pelo que havia passado, estava amedrontada.
Renata fechou os olhos e, com as mãos trêmulas, empurrou-o de leve, dizendo com a voz falha:
— Wilson, levante-se primeiro, não faça isso...
Ele ainda esfregou o rosto no pescoço claro dela, imerso em um calor avassalador, mas por fim controlou seu desejo. Endireitou o corpo e murmurou um tá bom.
Mas os olhos dele não a deixaram em paz, repletos da cobiça mais crua que um homem pode ter por uma mulher.
Renata mal conseguia olhar para ele. Com as bochechas queimando de vergonha, abaixou a cabeça e começou a ajeitar o colarinho. A ponta dos seus dedos tremia tanto que ela não conseguia prender o pequeno botão.
O olhar de Wilson escureceu. Ele mesmo se encarregou de ajustar a roupa dela. Renata estava morrendo de vergonha, até ouvi-lo dizer:
— Renatinha, não vou te forçar a nada. Vou te dar o tempo que precisar. Só faço um pedido: não recuse quando eu for bom para você, está bem? E não volte a falar em término, por favor.
Renata paralisou. Seus batimentos ficaram descompassados e seu rosto esquentou. Subitamente, as palavras de recusa sumiram de sua boca.
Wilson sorriu. Após ajeitar a roupa, segurou-lhe as bochechas e beijou sua testa, sussurrando roucamente:
— Obrigado.
Abalada, Renata emitiu um pequeno suspiro, percebendo em seguida o que tinha acontecido. O rosto dela pegava fogo.
Nem ela sabia explicar por que não o rechaçara. Talvez fosse porque ele havia tocado o seu coração.
Mas ela tentava manter o pudor.

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