O homem devia ter vindo direto do aeroporto, sem nem passar em casa, pois ainda vestia o terno formal e elegante, parecendo incrivelmente bonito.
— Você... — O coração de Renata Rocha estremeceu, genuinamente surpresa.
Ela não esperava que ele voltasse mais cedo. Ontem à noite, no WhatsApp, ele ainda lhe dissera que só conseguiria voltar depois de amanhã.
— É o aniversário de alguém da sua família, eu definitivamente tinha que voltar. — Wilson Lopes sorriu, colocou a fruteira sobre a mesa, caminhou até ela e acariciou sua bochecha intimamente.
O coração de Renata estremeceu, sentindo uma repentina ardência no nariz ao olhar para o rosto gentil dele.
Era a primeira vez que ele comemorava o aniversário de um membro de sua família. Nos anos anteriores, ele nunca vinha, no máximo providenciava um presente.
Mas, no fundo, ela não queria deixar transparecer suas emoções na frente dele.
— Obrigada... — Ela fungou, virando o rosto enquanto falava em voz baixa.
No entanto, Wilson a abraçou. Um brilho de surpresa passou pelos olhos de Renata enquanto a grande e quente mão dele acariciava suas costas. — Eu errei no passado. De agora em diante, o que você quiser fazer, eu estarei ao seu lado.
O corpo de Renata enrijeceu, começando a tremer incontrolavelmente... Aquele momento de ternura fez seus olhos arderem. Sem conseguir se conter, ela agarrou a barra da camisa dele e encostou o rosto em seu peito.
Wilson baixou os olhos para encará-la, erguendo levemente os cantos dos lábios.
Eles só se separaram quando Soraia Rocha e Samuel Viana saíram do quarto.
Com as bochechas coradas, Renata cumprimentou a irmã.
Wilson, por outro lado, estava muito calmo, sem o menor sinal de desconforto. Ele a ajudou a desempacotar o bolo que haviam comprado e o colocou sobre a mesa de jantar.
Sendo mais experiente, Soraia percebeu logo de cara o que eles estavam fazendo momentos antes. Ela tossiu levemente, sem expô-los, e apenas disse: — Vou trazer a comida, já podemos almoçar.
— Irmã... e ele? Não está em casa? Ou bebeu de novo? — perguntou Renata, confusa.
Soraia suspirou, indo para a cozinha. — Seu cunhado teve que sair hoje, não vamos nos importar com ele.
Saiu?
Ele não vinha dizendo ultimamente que havia alguém o seguindo e que tinha medo de sair de casa?
Renata achou aquilo inacreditável.
— No que está pensando? — Wilson a olhou, puxando uma cadeira para indicar que ela se sentasse.
— Em nada... Vou trazer a comida! — Renata voltou a si e o encarou.
— Sente-se, eu vou.
Wilson segurou os ombros dela e foi para a cozinha.
Vendo a cena, Samuel se aproximou sorrindo e disse: — O tio Wilson é tão bom para a tia Renata!
O rosto de Renata esquentou na mesma hora, sentindo uma inexplicável vergonha, como se estivesse sendo despida.
Ela entendia muito bem o que aquilo significava.
— Bem, Samuel...
— Certo, vamos ouvir o Samuel! — interrompeu Wilson.
— Eba!
Wilson sorriu para ela e voltou a jogar com Samuel.
Renata mordeu o lábio, tomada por um misto de vergonha e irritação, mas não podia dizer nada na frente da criança. O jeito seria falar com ele mais tarde.
Após um dia cansativo,
Ela pediu um pijama à irmã e foi para o quarto de hóspedes se lavar primeiro.
Quando saiu, viu que o homem havia entrado sem que ela percebesse e estava sentado à beira da cama, respondendo a e-mails.
Ele havia tirado o paletó e vestia uma camisa preta por baixo. O tecido macio se ajustava perfeitamente ao seu corpo atlético, e a cor preta realçava ainda mais sua aura nobre e extraordinária.
Renata o observou, perdendo-se em pensamentos por alguns segundos. Desde muito tempo, ela sabia que ele ficava mais bonito vestindo preto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...