Com o rosto pálido feito papel, Renata o encarou com um olhar carregado de estranheza e frieza. Balançando a cabeça em profunda desolação, ela recuou, como se tentasse se afastar de uma monstruosidade assustadora, evitando-o a todo custo.
— Wilson Lopes, eu realmente me enganei sobre você! Você é ainda mais frio e insensível do que eu imaginava!
— Eu pensei que, por mais cruel que você fosse, estava apenas encenando para mim. Achei que a sua crueldade era apenas direcionada a mim, mas não imaginava que a bondade que você mostrou para com a minha família também fosse uma farsa!
— Você, de fato, não tem coração!
— Samuel é tão pequeno, como você pôde brincar com a vida dele desse jeito!
Renata o acusou em um tom histérico, trêmula de fúria e sem conseguir se controlar, parecendo uma frágil folha açoitada pelo vento frio.
Wilson franziu a testa. Sabendo que ela havia entendido tudo errado e não querendo começar uma discussão ali, ele avançou e segurou-a pelo braço.
— Falaremos sobre isso quando voltarmos.
Renata afastou a mão dele bruscamente, com os olhos injetados de sangue.
— Vá para o inferno! Não quero te ver nunca mais!
Wilson olhou para as costas da mão, avermelhada pela tapa que ela dera para afastá-lo, e fechou o semblante, encarando-a com uma frieza gélida através de seus olhos semicerrados.
A temperatura ao redor pareceu cair para baixo de zero, e a respiração deles tornava-se visível como vapor frio.
De lado, após observar o desenrolar da situação, Sabrina sorriu discretamente. Logo em seguida, adotando um ar de vítima sofrida, ela avançou, pegou na mão de Renata e disse com a voz embargada:
— Renata, isso não tem nada a ver com o Wilson. Ele fez isso apenas porque se preocupa comigo. Eu não sabia que o coração era para o seu sobrinho. Eu vou devolvê-lo imediatamente, não vou mais precisar dele... Por favor, não fique com raiva, está bem?
Antes, Renata já havia testemunhado Sabrina usar táticas sujas, fingindo-se de donzela inocente.
Naquela época, ela sempre preferira ignorar, deixando para lá quando possível.
Mas agora, a aversão era profunda demais!
Nojento demais!
Sem conseguir mais se conter, Renata, bem na frente de Wilson, desferiu um tapa na cara de Sabrina.
— Você pode parar com essa nojeira? Vá para o inferno!
Com um grito agudo, Sabrina caiu desajeitadamente no chão, com um aspecto patético.
O rosto de Wilson endureceu de raiva.
Ainda assim, ele não foi ajudá-la. Em vez disso, olhou diretamente para Renata, franzindo a testa.
— Você precisa mesmo agir assim? Eu já estou a mandando embora, e você não pode suportar nem mais um dia?
Mandá-la embora?
Renata sentiu como se tivesse ouvido a melhor piada do mundo.
Respirando fundo, ela disse em tom gélido:
— Wilson Lopes, escute bem o que vou lhe dizer: se você voltar a colocar essa sua queridinha na minha frente, eu a agredirei cada vez que a vir!
Os olhos sombrios de Wilson pressagiavam uma tempestade, enquanto ele pronunciava o nome dela em voz baixa.
Renata se virou e se afastou. Suas costas frágeis irradiavam determinação inabalável.
O semblante de Wilson tornou-se extremamente pesado.

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