Pelo jeito, os sentimentos dele tinham mesmo mudado de rumo.
Só que ele não percebeu e não queria assumir.
Isso não podia acontecer!
...
Leonardo levou Renata em uma volta pelo salão para conversarem com o pessoal, e a levou até a saída.
Os dois conversaram enquanto caminhavam.
Leonardo: — O Grande Prêmio Nacional de Design vai começar em breve, você vai entrar?
Renata havia se atrasado por três anos devido a Wilson. É claro que iria participar neste ano.
Ela sorriu: — Vou sim. E vou para tentar o primeiro lugar!
Leonardo não conseguiu segurar o riso. Quando a viu com aquele sorriso dócil, sentiu como se tivesse voltado para a época em que a conheceu. Ela era inexperiente e meiga.
Ele esticou a mão e passou em sua cabeça.
— Eu confio em você.
Renata fugiu sorrindo e deu um tapa nele.
O olhar de Leonardo estava intenso, e ele puxou a mão de volta.
— Só foi pena que você não se apresentou para acabar com a alegria do Wilson e da Sabrina. Por que não? Foi só eu tocar no nome do Cristiano que você desistiu. Não me diga que rola alguma coisa entre você e ele?
O coração de Renata apertou e ela preferiu não falar muito sobre Cristiano.
A questão da "certidão de casamento" falsa, era melhor manter em segredo.
Ela tentou se esquivar com uma resposta incerta.
Leonardo não continuou com as perguntas, lamentando que ela só se revelaria na próxima vez.
Em seguida, ele foi ao estacionamento e tirou os presentes que havia arrumado para ela de dentro do carro. Era uma bolsa com todos os tamanhos de coisas.
Um gesto que deixava o coração quente.
Renata se comoveu. Aproximou-se e o abraçou.
— Obrigada, Leonardo.
Leonardo deu um toque nas costas dela.
— Eu tenho mais coisas da Exposição para fazer daqui a pouco, não dá para adiar. Cuidado na viagem e me liga assim que chegar em Sulina.
— Certo...
A despedida era sempre um momento de dor.
Mas o mundo não era tão grande a ponto de nunca mais se esbarrarem.
E disse sussurrando: — É mesmo? Então, a gerente Renata poderia me explicar o motivo pelo qual você não tenta olhar para mim?
O olhar de Renata piscou.
O tom de voz de Cristiano caiu ainda mais.
— Ou, para eu ser mais prático. O que a gerente Renata queria me dizer no meu escritório naquele dia?
— E mais, o que veio fazer aqui hoje? Veio na posição de aluna do Mauro Miranda?
Palavras precisas.
Tudo o que ele dizia abalava a mente de Renata.
Renata apertou os dedos pelo medo.
Acreditava ser do tipo de pessoa que nunca sentia medo na frente de todos, mas com Cristiano, ela ficava ansiosa, não dava para explicar.
Como agora.
Não conseguiu responder uma única palavra a ele. E quase deixou a verdade escapar.
— Eu... — Olhou para cima, trêmula, de frente com os olhos do homem que a observava. Por um momento, achou que devia revelar a verdade. Senão a sua preocupação nunca sumiria, e, afinal, ela já iria embora de qualquer jeito.
Ela fechou os olhos.
— Sr. Jardim...

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