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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 106

"Valentina"

O Otto trancou o maxilar de raiva, o rosto da Aurélia passou para um vermelho vivo, mas eles forçaram de volta o meio sorriso dissimulado. Eu não estava gostando daquilo.

- Você não é digna de estar nesta casa, muito menos de usar o meu sobrenome. Você não passa de uma vadiazinha gorda e vulgar que gosta de escândalos, coisa que o meu enteado não suporta. E não vai demorar muito para ele se cansar de te usar para me provocar e te colocar para fora. - A Aurélia disparou cheia de coragem. Uma coragem que ela não ousava diante do Dante.

Eu ia me levantar da cadeira para mostrar à perua fútil quem seria colocada para fora depressa, mas o meu celular disparou sobre a mesa e eu o peguei depressa para verificar se era o Dante. Mas eu me dei conta de que o aparelho da Tati também estava apitando de forma histérica. Eu olhei para a minha tela e vi disparando dezenas de notificações eletrônicas de mensagens e marcações na rede social. Aquilo era presságio de desastre iminente.

Eu senti as minhas mãos gelarem e a boca ficar seca ao olhar para a Tati e ver o pavor real que brotou nos grandes olhos dela. A Tati travou a mordida no sanduíche de presunto, abriu o aplicativo com os dedos trêmulos e o seu rosto empalideceu no mesmo instante, o pânico real a desarmando.

- Tina… puta que pariu… olha isso aqui agora mesmo! - A Tati murmurou num fio de voz apavorado que me fez fechar os olhos e suar frio.

Inclinei o corpo e fixei os meus olhos na tela da Tati. O vídeo que liderava as páginas de fofoca da cidade na internet era o próprio desastre do fim do mundo. A minha prima Agatha aparecia chorando, lágrimas falsas sem a menor dúvida, em frente ao lugar que eu costumava chamar de casa, usando um vestidinho branco angelical, rosto lavado e olhos vermelhos, a melhor cara de pobre menina inocente para se fazer de vítima perante a imprensa da cidade.

“Eu não sei mais a quem recorrer, meus amigos…” - A Agatha gaguejava no vídeo, soltando soluços altos de atriz de quinta categoria que me deram ânsia de vômito. “A minha prima, a Valentina Torres, deu um golpe no bilionário das Indústrias Montenegro, e eu morro de vergonha só de pensar no que ela fez para convencê-lo a se casar com ela... e agora está usando a influência dele para destruir a nossa família! O juiz bloqueou todas as contas bancárias do meu pai por causa de uma mentira dela! Nós fomos jogados na sarjeta sem um centavo, ela está ameaçando tomar a nossa casinha, o único teto que temos. E não é só isso. A Valentina ainda sequestrou a nossa própria avó! Eu estou morrendo de preocupação e saudade, sem saber onde a minha amada vó Isabel está. E a Valentina ainda está ficando com todo o dinheiro da aposentadoria da minha vovó. A Valentina é um monstro de ingratidão, meus pais a criaram como se fosse filha deles, mas ela nos despreza, despreza o próprio sangue, e agora, só porque assina como uma Montenegro, quer nos humilhar, nos destruir!”

O vídeo estava viralizando na internet, com milhares de curtidas e comentários cheios de repulsa das fofoqueiras e destilando ódio dos julgadores de plantão. Eu não daria a mínima, se isso não fosse atingir o Dante como um acidente nuclear. Eu senti todo o meu corpo se contrair.

Eu ergui a cabeça devagar, o meu corpo tremendo de ódio e a minha fúria explodindo no nível máximo, eu ia atrás da Agatha e acabaria com a raça dela de verdade, a deixaria respirando por aparelhos, só para que ela realmente pudesse falar na internet que eu era "um monstro de ingratidão".

Do outro lado da mesa, o Otto e a Aurélia riam alto enquanto assistiam ao vídeo da Agatha, desabando nas cadeiras com total prazer e malícia.

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