"Valentina"
Convencer o Dante sobre a entrevista e os convidados que eu queria chamar para o meu espetacular chá da tarde foi a parte fácil, difícil foi mantê-lo entretido para que ele não desconfiasse de nada, mas uma mensagem para o Murilo e em poucos minutos o Dante já estava atrás da tela do notebook trabalhando sem se preocupar com o que acontecia em volta dele, enquanto eu ligava para as esposas dos conselheiros da holding convidando o casal para um chá em nossa casa. Aparentemente todas elas estavam ansiosas para ter a oportunidade de me avaliar mais de perto.
Da sacada do quarto eu vi o Breno sair irritado, batendo a porta do carro com força e fazendo barulho ao arrancar. Logo depois, o Otto também saiu, usando um terno impecável. E a uma da tarde o meu reforço começou a chegar, silenciosamente e pela entrada de serviço, sem despertar a atenção de ninguém. O Dante continuava prestando atenção no computador e eu me esquivei para fora do quarto para encontrar o Murilo e a Tati na biblioteca no andar de baixo, avisando ao Fausto que se o Dante saísse do quarto ou perguntasse por mim, que ele me enviasse uma mensagem.
- E então, os dois panacas já saíram? - A Tati perguntou assim que entrei.
- Já. Dornelles o que você disse a eles? O Breno saiu irritado. - Eu estava curiosa.
- Eu não disse nada! - O Murilo sorriu. - Pedi um favor ao gerente do clube que é um velho conhecido e ele cortou a folga do Breno, por isso ele estava com raiva, foi trabalhar. Já o crápula do Otto, eu pedi um favor a um outro amigo que ligou para ele e disse que tinha uma proposta interessante para ele e o convidou para um almoço. Acredite, o Otto não vai voltar tão cedo.
- Dornelles, você tem mil utilidades! - Eu sorri.
- E muitos amigos. - Ele completou. - Agora senta aí, precisamos nos concentrar no que você vai dizer ao jornalista e, principalmente, aos conselheiros e suas esposas. Como você se saiu com os convites?
- Melhor impossível! A Aurélia andou falando muito de mim por aí e as esposas estão todas curiosas sobre a Sra. Montenegro. Aceitaram mais do que depressa a minha reunião social. Já o Dante, está agarrado àquele computador como se fosse o amor da vida dele. - Eu bufei. - O que você mandou para ele?
- Ciúmes de um computador, Tininha? Foi você quem pediu para mantê-lo ocupado. - O Murilo riu. - Mandei um relatório muito detalhado que ele poderia ler depois, mas já que você queria ocupar o homem, eu pedi que estivesse pronto até amanhã de manhã.
- Mas você vai liberá-lo desse castigo a tempo da minha reunião social! - Eu pedi.
- Assim que eu terminar com você, eu vou entreter o chefe e tirar o peso dos ombros dele. - O Murilo garantiu. - Agora vamos para a sua entrevista...
Por mais de meia hora o Murilo me deu todas as dicas para que eu não cometesse nenhuma gafe ou indiscrição com o jornalista, mas eu não estava preocupada, o Pierre tinha o controle daquilo. Quando o Murilo se deu por satisfeito ele se levantou para ir atrás do Dante e assim que ele saiu, a D. Marta entrou com o Pierre e mais dois homens que só podiam ser o jornalista e o tal fotógrafo.

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