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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 172

"Valentina"

Eu ainda não tinha sequer largado a bolsa quando o Murilo entrou na sala do Dante parecendo completamente alterado. Nada daquele sorriso charmoso ou do caminhar despreocupado. Ele estava tenso, sem o paletó e com a gravata afrouxada, com um vinco de preocupação entre as sobrancelhas. Não parecia o Murilo. O Dante e eu nos olhamos e eu me joguei na cadeira esperando o próximo problema ser jogado na nossa cara.

- Finalmente vocês chegaram! - O Murilo falou irritado.

- O que aconteceu, Murilo? Qual é o novo desafio que você tem para nós. - O Dante perguntou já sério.

- A minha nova assistente! - O Murilo declarou e se jogou na cadeira em frente ao Dante. - Eu não entendo. Ela é uma mulher incrível, esperta, inteligente... nós dois nos damos tão bem! Ou pelo menos nos dávamos bem. Mas desde o momento em que eu a avisei que ela seria a minha nova assistente, ela parece ter se transformado, do nada ficou louca! O que acontece com vocês mulheres, Tininha? Eu não consigo entender. - O Murilo choramingou e mexeu na gravata.

- Somos mulheres, Dornelles. Deusas, loucas e feiticeiras. O que foi que a Tatiana Elisa aprontou? - Eu perguntei já imaginando que não era bom, a Tati estava determinada a deixar o Murilo surtado.

- Ela está me tratando no modo "sou simplesmente a assistente", com frieza e distância, nada de "Lilo", nada de sorrisos, nada de conversa agradável. É apenas "sim, Dr. Dornelles", "pois não, Dr. Dornelles", "vou providenciar, Dr. Dornelles... uma chatice! E hoje ela simplesmente veio trabalhar com uma legging e um top amarelo limão e tênis esportivo. Com aquele cabelo preso num rabo alto que... ah, Tininha, me ajuda, por que a Morena está me tratando tão mal?

- Ué, Dornelles, se vira! - Eu zombei dele. - Você não queria a Tatiana como assistente? Agora você que lute!

- Ela também está chateada comigo? - Ele perguntou ao Dante.

- Não me mete nisso porque não quero a minha esposa e a melhor amiga dela chateadas comigo. - O Dante respondeu me dando uma piscadinha.

- Não faz assim, Tininha! Me ajuda, vai! Pelo menos me diz por que ela está chateada. - O Murilo me pediu.

- O problema de vocês homens é esse... - Eu me levantei da minha cadeira e caminhei em direção a porta. - Fazem um monte de merdas e depois ficam choramingando dizendo que não sabem por que estamos chateadas. Pensa um pouquinho, Dornelles, vai! Eu acredito na sua capacidade de descobrir como você chateou a Tati. Enquanto isso, eu vou lá falar com a minha amiga e sócia.

Eu saí da sala, cruzei a recepção da Aline e caminhei a passos largos até a sala do Murilo, tentando me esquivar de qualquer um que passasse por mim e ameaçasse parar para conversar. Eu entrei na sala e fechei a porta atrás de mim, a Tatiana não tinha mentido, a mesa dela ficava bem ao lado da mesa do Murilo, com uma distância de no máximo vinte centímetros entre uma e outra. E a Tati estava sentada atrás daquela mesa que brilhava como um espelho, com os olhos fixos na tela do computador.

- Roupa de academia no escritório, Tatiana Elisa?

A Tati me encarou, o seu semblante era de quem estava realmente furiosa. Eu me aproximei da mesa, puxei a cadeira estofada em frente e me sentei. Encarando a minha amiga e esperando o que ela tinha para falar.

- Olha pra você! - Ela sorriu e se desarmou completamente. - Olhinhos brilhantes, pele boa... e aí, comeu?

Eu ri, sabia exatamente do que ela falava.

- Quase fiz um lanchinho! - Eu brinquei.

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