"Murilo"
Eu tinha um plano que estava muito bem engatilhado para fazer a minha assistente derreter aquele coraçãozinho de gelo. Depois que saí da sala do Dante mais cedo e voltei para a minha sala, eu já tinha uma estratégia, mas quase me esqueço dela quando abri a porta da sala e dei de cara com a Tatiana de um lado com aquele zíper prestes a estourar e o cachorro esparramado na minha cadeira como se fosse o chefe. O cachorro ergueu a cabeça, abanou o rabo e colocou a língua para fora, babando na minha cadeira. Eu respirei fundo e entrei. Eu atravessei a sala, me sentei na cadeira em frente a mesa e peguei o notebook dando um sorriso para o cachorro que agora seria meu melhor aliado.
- Vamos ver o que temos para hoje, caro Newton. - Eu falei enquanto abria o notebook.
Eu não precisava olhar para a Tatiana para saber que ela estava tentando não sorrir. Mas a notificação na tela tirou o sorriso do meu rosto. O crápula do Aroldo estava se movendo. Eu rapidamente peticionei e consegui uma videoconferência com o juiz. Quando a videoconferência acabou, o Newton havia saído da minha cadeira e se sentado ao meu lado e automaticamente eu havia começado a acariciar a cabeça dele. Fazer carinho naquele cachorro era relaxante.
Eu levei o notebook para o sofá e o Newton pulou ao meu lado, prestando atenção às letras que surgiam na tela a medida que eu digitava a petição antes de ir falar com a Valentina. Naturalmente eu comecei a conversar baixo com o cachorro, como se ele pudesse me dar a sua opinião. E quando terminei eu olhei para aquele peludo que parecia estar sorrindo.
- E aí, Newtinho, o que acha? - Eu perguntei assim que terminei e o cachorro deu um latido que me fez rir, soou como aprovação. - Eu fechei o computador e coloquei sobre a mesinha. - Fica de olho pra mim, Newton. Vou falar com a Tininha. - Ele abanou o rabo.
Depois de voltar a sala do Dante e receber a aprovação da Valentina para a minha estratégia, eu voltei para a sala, mas antes passei no departamento de pessoal e consegui algo valioso. Assim que voltei para a sala o Newton olhou para mim, ele estava sentado em frente ao computador, de guarda, de olho como eu disse. Eu sorri e o chamei.
- Newtinho, vem aqui parceiro. - Eu chamei e ele veio obedientemente. Até aquele momento a Tatiana não havia proferido nem uma palavra.
- Parceiro? Que parceiro? O Newton é meu bebê, só meu. E para com a palhaçada de chamá-lo de Newtinho. É Newton! - Ela se levantou e veio caminhando para inspecionar o que eu estava fazendo abaixado com as mãos na coleira do cachorro. - Que porra é essa, Murilo?
Eu sorri, ela tinha esquecido inclusive que andava me tratando de "Dr. Dornelles".
- Isso é um crachá. O crachá do meu estagiário Newton! - Eu mostrei o crachá com o nome, o cargo e uma foto do cachorro que eu havia tirado das redes sociais dela. O cachorro olhou para ela como se estivesse empolgado com o novo adereço. - Todos os funcionários da empresa têm um que deve ficar em local visível para que possa ser identificado por qualquer um nas dependências da empresa. Aliás, onde está o seu, Srta. Santana?
Eu ainda estava abaixado em frente ao Newton e virei a cabeça. Dei de cara com aquele piercing que estava tornando os meus dias um inferno. Pendurado na calça o crachá, como se aquele piercing já não fosse chamativo o suficiente, ela agora dava mais um motivo para as pessoas olharem para a barriga dela! Eu olhei para o Newton e ele olhou para mim, nós dois bufamos.
Eu simplesmente tirei o crachá da cintura dela, resvalando as costas dos dedos na sua pele quente. Ela me encarou, tentou me impedir, mas foi lenta, eu já havia agarrado o crachá. Eu me levantei devagar, mas talvez não devesse ter olhado tanto para aquela barriga lisa e as pedrinhas brilhando no umbigo, aquilo ia me assombrar.

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