Hassan encarou Yoon Hee enquanto sentia a sua face arder, pelo tapa. Viu em seus olhos a fúria e não se conteve, andou ate ela, segurou em seu braço e a jogou, deitada, sobre a cama, ficando por cima dela. Percebeu a fúria ser substituída pelo medo e sorriu vitorioso.
–Nunca mais se atreve a me bater Yoon Hee.
–Saia de cima de mim, seu chontteugi (cafajeste) – disse debatendo-se em baixo dele.
–Usando o coreano para xingar? – segurou os seus pulsos, colocando-os em cima da cabeça dela, prendendo-os – e chama Mahir como? Salang (amor)? Estou curioso.
–Não chamo de nada disso, solte-me – falou, nervosa, o encarando. – E como chama Lana? De Habibi também?
–Minha relação com ela não é de sua conta.
–E a minha com Mahir também, não é de sua conta. Agora saia de cima de mim.
–Yoon Hee, parece que não aprendeu que quando quero uma coisa, eu consigo. Não me importando de ter que passar por cima das pessoas. Se continuar se encontrando com Mahir, como vem fazendo, terei que tomar medidas drásticas.
–Está me ameaçando?
–Não, ainda não. Estou lhe dando um aviso.
–Dispenso seus avisos e quem acha que é para dizer essas coisas? Eu sei que estava com Lana. É um grande hipócrita. Seu irmão quase foi seqüestrado e ao invés de ir atrás dele, foi ver a sua amante. Muito digno de sua parte.
–Como sabe que fui vê-la? – perguntou sem expressão.
–Pergunte ao seu amorzinho – disse irônica – agora me solte, está me machucando.
–Responda-me. – falou sério.
–Eu te liguei. – disse sem vontade.
–Me ligou? – indagou confuso.
–Sim, e ela atendeu. Se quiser se encontrar com ela, faça como quiser, mas não espere que eu goste de ter isso jogado na minha cara.
–Está com ciúmes? – perguntou divertido.
–Ciúmes? Nunca terei ciúmes de alguém como você e sabe por quê? Porque não sinto nada por você. Nada.
–Se não sente nada, porque está tão incomodada?
–Por que tenho o meu orgulho.
–Hum, seu orgulho vale tanto assim?
–Vale.
–Acho que está apenas com ciúmes e não quer admitir para si mesma.
–Você é um egocêntrico. Acha mesmo que todas as mulheres do mundo são enfeitiçadas pelo seu, suposto, charme? Sou imune a tudo isso – debateu-se – agora me solte.
–Imune? Desconheço alguém que seja imune a mim, Yoon Hee, e você não será a primeira.
–Está me machucando, solte-me. – disse sem encará-lo, olhando para o lado, com medo de que ele visse a verdade em seus olhos.
–Machucando? Continue a fazer o que anda fazendo e verá que essa dor não será nada, em comparação ao que farei – dizendo isso, pressionou os seus lábios contra os lábios de Yoon Hee, forçando-a a retribuir o seu beijo. Ele sentiu a sua resistência diminuir, mas ao afastar-se dela, viu lagrimas em seus olhos e sentiu-se culpado – você é minha Yoon Hee, não se esqueça disso. – soltou os seus pulsos e saiu de cima dela – não quero vê-la saindo junto com ele, sem segurança ou alguém ao lado de vocês dois. Apenas... Me escute.
–Como quer que eu te escute se você não se da ao respeito? – perguntou o encarando – sempre que acontece algo, acaba indo atrás dela. Nem se importou comigo, apenas pensou em estar com ela. Se você a ama, também deveria me dar o direito de amar alguém.
–Nunca. Você é minha. Aceite isso.
–Não posso aceitar, já que você não é meu, Hassan, e nunca será. Deixe-me ter um pouco de felicidade neste lugar.
–Eu deixo fazer tudo o que quer, mas não poderei deixar que fique com Mahir. – deu as costas a ela e suspirou antes de perguntar algo que lhe fazia estremecer – você... O ama?
–Huh?
–Ama Mahir?
–Eu... Não sei – confessou – só não quero me afastar da única pessoa que me faz rir.
–Não quero vê-los saindo juntos. Escute-me e não irá se arrepender – disse indo em direção a porta de comunicação entre os quartos, a abriu e olhou para trás, e a viu sentada na cama com os olhos cheios de lagrimas – Não quero machucá-la. Então me obedeça – entrou em seu, próprio, quarto e fechou a porta, deixando-a sozinha.
–Porque isso tudo está acontecendo comigo? – Yoon Hee se perguntou ao se ver sozinha em seu quarto. Deixou as lagrimas caírem pelo seu rosto e deitou-se na cama, abraçando o seu travesseiro – o-mmo-ni, sinto a sua falta – disse lembrando-se de sua mãe de sua irmã. Continuou chorando sem saber que do outro lado da porta alguém escutava os seus soluços.
Hassan suspirou, e deixou-se cair na cadeira. Ele sentia-se culpado por ter feito, Yoon Hee, chorar, mas não se sentia confortável com a situação. Não queria admitir, mas estava com medo de que tudo se repetisse. Não queria que a mesma historia com Ágata acontecesse com ela. Olhou para, uma pequena, sacola em cima de seu criado mudo e lembrou-se do colar que havia comprado para ela. Pegou a sacola e sorriu, sem vontade.
–Duvido muito que depois de hoje ela queira usá-la. – voltou a colocar a sacola em cima do criado mudo e fechou os seus olhos. A única imagem que vinha em sua mente era o semblante dela triste – o que estou pensando? Ela mereceu. Se eu não cortar o mal pela raiz, ele irá se alastrar, mas porque me sinto tão mal?
Mahir cerrou os punhos ao ser colocado para fora do quarto de Yoon Hee e sentiu-se um nada. Ele queria ajudá-la, mas não poderia fazer nada, já que ela estava casada com ele. Ficou em frente à porta durante alguns minutos, mas desistiu de continuar ali e foi para o seu quarto. Deitou em sua cama sem conseguir pensar nada, que não fosse em algum meio de tirá-la daquela vida. Ele estava disposto a renunciar a tudo por ela, ele não deixaria a historia se repetir. Desta vez, ele estava decidido em ir ate as ultimas conseqüências para ter a mulher que amava.
***
–Pode ficar tranqüila – o homem, parecido com Hassan, disse sorrindo – Desta vez não deu certo, mas a próxima pessoa... Tenho certeza que conseguiremos pegá-la. A esposa de Hassan não irá escapar. Não precisa se preocupar – disse ao telefone. Desligando em seguida, chamando o seu secretario – Deixe os homens a posto. Quando for a hora irei enviar um pequeno recado para o Sheik. Quero vê-lo com medo, sem saber como agir.
–Mas senhor... Não seria arriscado enviar alguma coisa para ele? Quero dizer, o sheik tem muitas influencias e ele pode fugir do país.
–Se ele fugir, tudo ficará mais fácil para mim, meu caro. – sorriu – matar o pai dele será... Tão prazeroso que terei o prazer de fazer eu mesmo. E com ele longe, tudo ficará mais fácil.
–Entendo. O senhor é muito esperto.
–Por isso serei o próximo rei de Abu-Dhabi. Pode ir e providencie tudo – sorriu vitorioso enquanto via o seu secretario sair de sua sala.
***
Mahir saiu de seu quarto, à noite e caminhou pelos corredores silenciosos do palácio. Parou em frente ao quarto de Yoon Hee, preparou-se para bater em sua porta, mas desistiu. Voltou a caminhar pelo corredor e foi para a sala de estar. Sentou-se no sofá, no escuro, e fechou os olhos sentindo-se impotente. Já estava pegando no sono quando escutou um barulho, olhou para as escadas e a viu. Yoon Hee estava indo em direção a cozinha quando viu alguém na escuridão, já estava prestes a gritar quando escutou a voz de Mahir.
–Yoon Hee, o que faz acordada?
–Não estava conseguindo dormir – confessou – e você?
–Também não. Quer tomar um copo de leite quente? Dizem que ajuda a dormir – disse sorrindo.
–Aceito.
–Vamos – falou indo em direção a cozinha, sendo seguido por ela. Ligou as luzes e foi ate a geladeira. Pegou o leite, despejou o liquido em dois copos e colocou no microondas. – daqui a pouco estará pronto.
Yoon Hee assentiu enquanto olhava para a porta. Não queria admitir, mas estava com receio de Hassan aparecer e fazer algo contra Mahir. Assustou-se quando Mahir colocou uma caneca em sua frente.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma Mulher para o Sheik
Não tem continuação essa história?...