Jihad olhou para a carta surpreso, não conseguindo acreditar na audácia deles.
Sua esposa anda muito vulnerável. Ela fica radiante ao ir à universidade e quando está andando pelos jardins do palácio. Ela é linda, deveria tomar mais cuidado, afinal nunca se sabe o que pode acontecer às pessoas, tão próximas, não é mesmo?
–Isso pode ser algum engano ou alguma brincadeira – Jihad disse sem acreditar em suas próprias palavras.
–Não é. Eu sei disso. Prepare o meu apartamento em Londres. Devo ir para lá ainda esta semana.
–Sim senhor. Devo preparar mais alguma coisa?
–Não, apenas faça isso por agora.
–Certo – disse saindo da sala.
Hassan ficou olhando para aquela carta e sentiu algo. Ele estava com receio de que tentassem seqüestra - lá. Tentou afastar os seus pensamentos, mas não conseguiu. Pegou o telefone e discou para a central de segurança de sua família.
–Sou eu, Hassan. Preciso de três homens para hoje. Sim. Quero que fiquem atrás de minha esposa, sem que ela perceba. Sim. Ligarei para a universidade de Abu-Dhabi e avisarei que eles estarão lá sob as minhas ordens. Certo. Adeus – disse desligando. Respirou um pouco mais aliviado, entretanto a cada minuto que passava sentia-se mais furioso com o remetente da carta. Por causa dele, ele acabaria ajudando o seu pai em seu plano, nada convencional.
Yoon Hee levantou da cama sentindo a sua cabeça pesar. Ela não havia conseguido dormir direito. Espreguiçou-se e foi ate o banheiro, saiu enrolada em sua toalha. Olhou de relance para o seu criado mudo e viu uma pequena, sacola em cima dele. A pegou e viu um colar de perolas. Abriu o bilhete e leu sem expressão.
Olá Yoon Hee,
Comprei este colar quando fui a Dubai, mas não havia encontrado uma ocasião para lhe dar. Espero que goste.
Hassan
–Acha que pode me comprar com um colar de perolas? Está muito enganado – disse colocando em cima da cama, mas seu olhar voltou para ele e o olhou indecisa – se ele comprou em Dubai, isso foi bem antes da nossa briga, será que... Não. Não vou criar expectativas – disse decidida indo em direção ao closet. Pegou um jeans, uma bata azul, prendeu os cabelos e desceu com a sua bolsa. Viu o café posto na mesa, mas não encontrou nenhum dos irmãos, sentou-se e esperou a empregada lhe servir. Em poucos minutos tomava o café da manha, sozinha. Olhando para o nada. Já estava terminando quando, seu olhar foi direcionado para a porta, onde Mahir a observava com um sorriso nos lábios.
–Bom dia – ele disse sorrindo.
–Bom... Bom dia – Yoon Hee falou sem jeito, lembrando-se da noite passada. – como vai?
–Com sono – espreguiçou-se – já está indo?
–Já sim.
–Se quiser eu te levo.
–Hã?
–Não acho que seja sensato andar por ai, sozinha. Ainda mais depois do, quase, seqüestro de Hakim.
–Você pode estar certo.
–Então, vamos – falou pegando um pedaço de pão e colocando na boca. Andou em direção a porta e sorriu ao ver Yoon Hee, o seguindo. – espere aqui enquanto eu trago o carro – Mahir disse do lado de fora do palácio. Yoon Hee assentiu e o observou, ele não havia mudado o seu jeito para com ela, era como se não houvesse acontecido nada, na noite passada. Suspirou ao ver a Ferrari vermelha parar em sua frente. Ela entrou, colocou o cinto de segurança e evitou olhar para ele. Alguns minutos se passaram ate Mahir quebrar o silencio.
–Ainda está pensando sobre a noite passada? – Mahir perguntou, prestando atenção na estrada - não deveria. Eu lhe disse para esquecer, foi apenas... Um erro. Desculpe-me novamente.
–Um erro? – perguntou ao encará-lo. Me beijar agora é um erro? Pensou furiosa.
–Sim, quero dizer... Não precisa pensar nisso e nem ficar estranha comigo. Se o problema for esse, fique tranqüila, pois isso... Jamais voltará a acontecer.
–Como quiser – disse ríspida.
–Não precisa ficar mal humorada, quando quiser me beijar, é só me falar – falou divertido ao ver a reação dela.
–Você e Hassan são realmente irmãos. Ambos tem sérios problemas com rejeição.
–Verdade – falou sorrindo. – mas você apareceu para nos colocar na linha, não foi mesmo? – sorriu estacionando o carro em frente à universidade. – chegamos.
–Obrigada pela carona – Yoon Hee disse saindo do carro, sem dar chance para ele se despedir. Entrou pelo portão sem expressão e logo encontrou Young Lee, acenou para ela e foi ao seu encontro – como está?
–Muito bem e você, Yoon Hee?
–Acho que bem.
–Hum e o Sheik, o que queria com você?
–Ah, bem... Como posso falar... Ele e eu... Nós somos...
–Casados – completou Young Lee sorrindo – descobri assim que você saiu com ele, um estudante comentou que Hassan deveria ser um ótimo esposo por vir buscar a sua mulher.
–Perdoe-me por não ter lhe contado.
–Sem problemas. Eu imagino que quisesse levar uma vida normal, pelo menos aqui, não é mesmo?
–É sim.
–Como é ser casada com um Sheik?
–Desgastante – disse sem pensar.
–Por quê? Imaginei que ele fosse carinhoso, atencioso.
–E ele é – com Lana, acrescentou em pensamento – eu quis dizer que... É desgastante ser a esposa de um Sheik, mas ele torna isso tudo – pior disse em pensamento – melhor. Ele é incrível – falou sorrindo.
–Isso é ótimo, qualquer dia poderia me apresentar ao irmão dele. Dizem que ele é lindo.
–Qual deles?
–O que mora com ele.
–Foi ele que me trouxe na verdade.
–Sério?
–Hum rum.
–Da próxima vez, me apresente.
–Claro – respondeu sem vontade – é melhor irmos para a sala, não é? - Desconversou.
–Verdade.
Yoon Hee seguiu na frente, com receio de que falasse algo que não deveria a Young Lee. Entraram na sala e se sentaram próximas. Yoon Hee assistiu a todas as aulas com o pensamento em Mahir e Hassan. Não via a hora de chegar em casa.
Assim que entrou em casa foi ao seu quarto e ao abrir a porta, esbarrou-se com Kalima. Ao vê-la abriu um, largo, sorriso.
–Kalima, há quanto tempo, como está?
–Bem, obrigada e a senhora?
–Indo.
–Por quê? Aconteceu algo?
–Mais ou menos.
–Quer conversar? – perguntou solicita.
–Se não for incomodá-la.
–De modo algum – disse voltando para o quarto dela. Esperou ela entrar e fechar a porta – pode começar.
–Bem, como sei se estou apaixonada?
–Difícil dizer, você está apaixonada quando anseia estar com a pessoa, pensa nela constantemente durante o dia... Deseja beijar a pessoa...
–É possível gostar de duas pessoas, ao mesmo tempo?
–Possível é, mas não seria o correto. Está apaixonada por dois homens?
–Veja me ver, por favor. Estou tão triste e não tem ninguém com quem posso falar.
–Estarei ai em poucos minutos – disse após pensar um pouco. Desligou o celular, foi para a garagem, entrou em seu carro e dirigiu em direção à casa de Lana.
Ele chegou em poucos minutos. Estacionou a sua BMW em frente à casa dela, saiu do carro e apertou a campainha.
–Que bom que veio – Lana disse com lagrimas nos olhos – estou tão triste – falou o abraçando.
Hassan a apertou contra si, e a deixou desabafar. Ele a puxou para dentro de casa, fechou a porta e a sentou no sofá.
–O que houve?
–Eu... Eu fui excluída do desfile.
–Desfile?
–Sim, estive negociando a minha apresentação em uma das grifes aqui de Abu-Dhabi, mas eles desistiram. Não explicaram, apenas disseram que eu não era mais necessária.
–Oh Lana, não fique assim – disse aconchegando-a em seu peito – estou aqui com você.
–Ficará essa noite comigo?
–Não posso, mas ficarei ate que durma – disse com um sorriso no rosto.
–Obrigada – o beijou levemente nos lábios e sorriu – você é um anjo.
–Você também é Lana. – disse com a sensação de que estava esquecendo algo.
***
Yoon Hee sentou-se no restaurante, ajeitou o seu vestido rosa claro de alça, fina, de seda, combinando com o colar de perolas em seu pescoço, que Hassan havia lhe dado, e olhou para a porta, ansiosa. Olhou para o relógio e viu que ele estava atrasado.
–Tudo bem, é só um atraso de dez minutos. Isso não é nada – falou a si mesma. Chamou o garçom e pediu um suco. Os minutos passavam, as cadeiras desocupadas iam sendo preenchidas enquanto novas pessoas entravam e saiam do restaurante, mas ela continuava sentada, a espera de Hassan. Já havia se passado três horas e meia que o esperava. Ligou mais uma vez para o seu celular e escutou a mesma mensagem:
Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens. Deixe o seu recado após o bip.
–Hassan, sou eu, Yoon Hee. Onde está? Ainda estou lhe esperando aqui. Se.. Não vier me avise. – desligou. E suspirou ao olhar ao redor. Ela percebeu que os empregados do restaurante, estavam a olhando com pena. Ela não conseguiu evitar um sorriso.
–Fui abandonada, novamente – disse ao olhar para a porta. Pediu a conta, pagou e dirigiu-se para a saída. Ela havia prometido a si mesma não esperar nada dele, mas não havia cumprido a sua promessa. Caminhou pelas ruas, sem prestar atenção a nada. A única coisa que queria, era poder esquecer Hassan e todo o resto. Não via por onde estava andando, pois as lagrimas em seus olhos dificultavam. Não percebeu, que dois homens a seguiam desde o restaurante. Ela ia atravessar a rua quando sentiu alguém segurar em seu braço, virou-se esperando que fosse seu marido, mas deparou-se com um homem alto, forte, cabelos loiros e olhos castanhos, a encarando.
–Solte-me – Yoon Hee pediu educada.
–A senhora, virá conosco. – ele disse sério.
–Está me confundindo com alguém. Deixe-me ir, está bem? Não tive uma noite fácil então não ajude a piorá-la.
–Venha comigo – falou a puxando para o caminho inverso que havia feito.
Yoon Hee começou a se desesperar e debater-se quando ele olhou para ela, e mostrou uma arma.
–Se não ficar quieta, terei que matá-la. Então nos poupe disso, está bem?
Ela não disse nada. O seu semblante demonstrava o que sentia naquele momento. Desespero. Yoon Hee começou a olhar pelos lados, com a esperança de que ele aparecesse para ajudá-la, mas isso não aconteceu. Viu quando o homem, misterioso, caminhou em direção a uma van, parada em uma rua escura. Ela voltou a se debater, conseguindo se soltar do sujeito. Correu o quanto pode, mas sentiu seus cabelos sendo puxados, escutou o barulho do colar de perolas se partindo, olhou para o chão e viu as bolas brancas espalhadas.
–Sua vadia. Eu disse para ficar quieta. Agora atraiu atenção desnecessária. Isso é uma pena, porque você é ate bonitinha – sussurrou em seu ouvido, ao puxá-la para si – não terei alternativa que não seja matá-la.
Yoon Hee começou a chorar e a gritar por socorro, mas as poucas pessoas que se encontravam na rua, não se moveram. Continuou gritando por socorro ate ver um homem parar em frente a ela.
–Solte-a – disse em inglês.
–É melhor ir embora, isso não é da sua conta.
–É mais do que pode imaginar – disse o homem sorrindo, de forma misteriosa.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma Mulher para o Sheik
Não tem continuação essa história?...