Yoon Hee ficou parada, vendo ele se afastar enquanto as palavras, frias dele, ecoavam em sua mente. Respirou fundo e foi atrás dele. Entrou no quarto de forma abrupta e o encarou.
–Não vou embora.
–Você irá – disse frio.
–Se eles quiserem fazer algo comigo, podem fazer lá também. Fuga não é sinônimo de proteção.
–Eu sei disso, mas... Não quero que se machuque.
–Entenda Hassan, eu não vou embora. Não adianta você falar. Estou fazendo faculdade aqui, algo que sempre quis, já tenho amigos, não quero me afastar de tudo isso, por medo.
–Faculdade e amigos você poderá arranjar por lá também.
–Como não entende que isso não é o melhor para mim?
–Isso é o melhor, você que não consegue entender a gravidade da situação.
–Sim, está correto. Não entendo, mas quem passou por tudo aquilo ontem fui eu. E eu não quero fugir, quero enfrentá-los e mostrar a eles o quão forte eu sou.
–Mostre isso em Londres, não aqui.
–Qual é o seu problema? Estou dizendo que não vou e ponto final.
Hassan a encarou e tentou sorrir, sem sucesso. Ele não conseguia entender como alguém poderia ser tão cabeça dura.
–Se ficar eles estarão vigiando cada passo que der. Não poderá sair de casa sem uma escolta. Será chato e desgastante. Pensará que todas as pessoas estão tramando algo contra você, tem certeza que quer isso? Quer mesmo ficar aqui?
–Quero – falou decidida.
–Porque isso tudo? Porque se sacrificar tanto?
–Porque é o certo. Não posso fugir a minha vida toda.
–Imagino – disse irônico – algo me diz que Mahir está no meio disso tudo.
–Também, afinal ele é meu amigo.
–Amigo? Certo, Yoon Hee. – virou-se de costas para ela e falou sério – arrume as suas malas. Iremos partir à tarde.
–Como consegue ser tão mesquinho?
–Anos de pratica.
– Babo (estúpido) – Yoon Hee disse ao sair, batendo a porta.
Hassan suspirou aliviado ao vê-la indo embora. Ele sabia que era o certo a fazer, mas sentia-se cada vez mais culpado por tê-la colocado em uma situação como aquela. Deixou-se cair na cama, fechou os olhos e esperou por uma solução para os seus problemas. Já estava pegando no sono quando escutou o barulho do seu celular, olhou para o numero antes de atender.
–Diga Jihad.
–Já está tudo pronto para a sua viagem, senhor.
–Certo. Veja se consegue uma universidade para Yoon Hee em Londres.
–Irá abandoná-la senhor? Quero dizer... Ela é uma mulher tão gentil.
–Não vou abandoná-la Jihad, apenas quero... Que ela fica à salva.
-Aconteceu algo? – perguntou preocupado.
–Ela quase foi seqüestrada ontem à noite.
–E ela está bem? E o senhor se machucou?
–Eu... Não estava com ela. – lamentou-se mais uma vez – quero que contrate alguns detetives para mim. Quero os melhores do mundo, não me importa o preço. Vou descobrir de uma vez por todas quem é o mandante dos atentados. – disse decidido.
–Não se preocupe senhor. Amanhã estará em cima de sua mesa uma relação dos melhores.
–Ótimo. Adeus – disse desligando. Colocou o celular de lado, fechou os olhos e desejou que tudo aquilo não passasse de um pesadelo.
***
Mahir saiu do quarto com olheiras. Ele não havia conseguido dormir a noite toda, pensando em Yoon Hee. Foi ate o quarto dela, parou em frente à porta e bateu. Demorou um pouco e ela abriu, com os olhos vermelhos, de tanto chorar. O abraçou antes que ele falasse algo e disse às palavras que ele mais temia.
–Hassan irá me m****r para Londres. Terei que morar lá agora. – disse entre soluços.
Mahir não disse nada, apenas a apertou contra si. Como se aquele fosse o ultimo abraço deles.
–Você... Concorda? – ela perguntou incerta ainda em seus braços.
–Se eu disser que não estarei mentindo. Acho que estará mais segura lá.
Mahir saiu do quarto sem falar mais nada. Fechou a porta ao sair e encostou-se na parede. Deixou as lagrimas caírem e soube, naquele instante, que não veria Yoon Hee tão cedo. Pela primeira vez sentia raiva por não ser o sucessor do trono, se ele fosse nunca deixaria que nada acontecesse com ela, mas sendo apenas um dos filhos do rei, o que poderia fazer? Perguntava-se angustiado.
****
–Como a deixaram escapar? – o homem parecido com Hassan gritava furioso com os seus capangas – eu pago a vocês para me decepcionarem? Qual o problema com vocês? Não conseguiram pegar uma mulher?
–Apareceu um homem – o homem loiro disse com o braço engessado – ele me derrubou com um golpe. Não sei quem era, mas disse conhecê-la.
–Com um golpe? – sorriu após pensar um pouco – com toda a certeza deveria ser Karim. Aquele garoto adora se meter nos assuntos dos outros. Ele é o único da família que derrubaria alguém com tal destreza. Tudo bem estarei dando uma nova chance a vocês, não me decepcionem novamente. Não vão querer me ver com raiva – disse sorrindo.
Os homens assentiram e saíram de cabeça baixa.
–Ela é uma mulher muito sortuda – disse consigo mesmo – engraçado como Karim apareceu no momento certo. Algo está muito errado nessa historia. – falou olhando para o nada.
****
Hassan olhou o empregado colocar as suas malas no carro e suspirou ao ver o semblante triste de Yoon Hee. Ela estava toda de preto, como se estivesse de luto. Ele não conseguiu evitar um sorriso diante da criatividade dela ou de sua, própria, imaginação. Olhou para as, três, malas dela e franziu a testa, não conseguia entender porque as mulheres andavam com tantas malas.
–É melhor irmos – ele disse ao vê-la olhar para ele, como se suplicasse para que mudasse de idéia.
–Certo – ela assentiu com voz baixa. Andou ate Kalima, a qual estava parada próxima a porta e a abraçou – Obrigada por ter me escutado. Você foi uma ótima amiga.
–Isso não foi nada.
–Para mim significou muito – disse sorrindo – obrigada. – afastou-se dela e olhou para Mahir. Viu o semblante triste dele e não conseguiu evitar uma dor em seu coração. Aproximou-se dele e o abraçou – Estarei esperando a sua visita. Este não é um adeus, é um ate logo – sussurrou em seu ouvido.
–Não se preocupe. Irei cumprir a minha promessa com você. – disse a olhando de forma carinhosa. Passou a mão pelo rosto dela e sorriu. – Não se esqueça de mim.
–Nunca – falou o encarando.
–É melhor irmos – Hassan disse de mau humor ao ver a cena. – Vamos Yoon Hee – falou ao vê-la parada, ainda, em frente à Mahir.
Yoon Hee afastou-se dele e andou ate Hassan. Parou em frente à porta e olhou para trás. Sorriu para as duas pessoas que deixava para trás. Queria que eles se lembrassem dela sorrindo e não chorando. Saiu do palácio ao lado de Hassan, entrou no carro e fechou os olhos, tentando segurar as lagrimas.
–Não voltarei tão cedo, não é mesmo? – perguntou a ele.
–Está correta. Só poderá voltar quando eu conseguir prender o culpado.
Yoon Hee assentiu, virou o seu rosto e deixou as lagrimas caírem pelo seu rosto. Ela tinha consciência que com aquela viagem perderia a todos, incluindo o seu marido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma Mulher para o Sheik
Não tem continuação essa história?...