Hassan olhou para a mulher sentada do outro lado do jatinho e suspirou. Yoon Hee estava chorando desde que havia saído do palácio e ele não sabia o que fazer. Ele estava dividido entre o certo e o que desejava, mas como sempre havia pensado racionalmente e estava a mandando para longe. Olhou pela janela, viu as nuvens e tentou sorrir, mas não conseguiu. Retirou o cinto de segurança, andou ate onde ela estava sentada e sentou-se em sua frente.
–Se continuar chorando assim vão pensar que estou lhe maltratando – Hassan disse a olhando, sem evitar um pequeno sorriso ao vê-la chorando. – Porque estou pensando no quanto ela fica linda chorando? Se perguntou em pensamento.
–E não é isso que está fazendo?
–Não estou lhe maltratando, apenas pensando no melhor para você.
–E o que é melhor? Ficar sozinha? Temos pensamentos muito divergentes.
–Já disse que irá encontrar amigos por lá, alem do mais ficarei com você durante um mês, aproximadamente.
–E desde quando você e eu somos amigos? – perguntou séria – ate onde eu saiba somos apenas casados, nada mais que isso.
–Como quiser. Vim te consolar e recebo isso em troca?
–Está recebendo o que merece. – disse virando o rosto.
Hassan não disse nada, apenas se levantou e voltou para o seu lugar. Pegou um jornal e começou a lê-lo tentando não prestar atenção em sua esposa.
Yoon Hee fechou os olhos tentando não se abalar com Hassan, sem sucesso. As palavras dele ecoavam em sua mente e a cada minuto que passava, ela se sentia culpada pelo modo que havia falado com ele. Estava decidida a se desculpar. Virou-se, mas o viu dormindo com o jornal no colo. Sorriu ao vê-lo. Fechou os olhos e logo adormeceu.
O jato pousou sem maiores problemas. Hassan foi acordado por uma das aeromoças. Ele olhou para Yoon Hee e a viu dormindo. Parou em sua frente, sorriu, retirou uma mecha de seu cabelo do rosto. Passou os dedos pela sobrancelha dela, desceu ate o nariz e parou em seus lábios, os quais estavam entre abertos como se esperassem um beijo. Selou os seus lábios nos dela, delicadamente e se afastou ao vê-la abrir os olhos, assustada.
–Já chegamos – Hassan disse sorrindo, a encarando.
–Hum, certo – disse incerta – por que... Me beijou?
–Porque você estava jeohanghal sueobsneun (irresistível) – disse sorrindo.
–Hã? – Ele disse o que eu escutei? Se perguntou ao encará-lo.
–É melhor irmos – ofereceu a sua mão para ela se levantar. Ela segurou, levemente, mas ele a apertou, e piscou para ela.
Yoon Hee enrubesceu, e ao sentir as suas faces queimando, virou o rosto para ele não perceber. Ao saírem do jato, um carro os esperava próximo a pista de pouso. O caminho foi feito em silencio. Yoon Hee observava pela janela do carro, ficando deslumbrada com o que via. Começava a pensar que ir a Londres seria divertido.
O carro estacionou em frente a um prédio, no centro de Londres. Hassan saiu do carro, falou, rapidamente, com o porteiro o instruindo e logo chamou Yoon Hee para acompanhá-lo. Entraram no elevador, Hassan apertou o botão da cobertura e em poucos segundos a porta do elevador se abriu. Yoon Hee olhou deslumbrada para o hall. Só havia o apartamento de Hassan em todo o andar. Ela o acompanhou, abismada. Viu quando ele digitou uma senha no painel fazendo a porta se abrir. Ele entrou e a encarou, esperando que ela fizesse o mesmo. Ao entrar Yoon Hee ficou estupefata ao ver o apartamento dele. Não havia janelas na sala, mas sim uma parte da parede, unicamente de vidro. Em frente a ela ficava um sofá de dois lugares, ao lado dele duas poltronas e em frente uma televisão de plasma, LCD. Um pouco mais distante havia uma mesa de seis lugares. Na parede atrás da mesa ela olhou surpresa para o quadro, tendo a sensação de já tê-lo visto.
–Os Iris de Van Gogh – Hassan disse atrás dela.
–Como? – perguntou virando-se para ele.
–O nome do quadro – falou com um sorriso nos lábios – você deveria saber disso, afinal faz parte da historia.
–Isso é historia da arte – voltou a sua atenção para o quadro, ficando deslumbrada.
–Venha, vou mostrar a casa para você – disse tirando-a de seus devaneios. Ele seguiu na frente enquanto ela o seguiu ainda perplexa. Ele parou em frente a uma das muitas portas. A abriu e entrou, dando espaço para ela passar. – Aqui será o seu quarto.
–Certo – Yoon Hee disse olhando ao redor. O quarto se parecia muito com o de Abu-Dhabi, a diferença estava nos moveis escolhidos.
–Vou deixar você descansar, mais tarde conversaremos - falou saindo.
Yoon Hee caminhou ate a varanda de seu quarto e debruçou-se ao ver a quantidade prédios. Respirou fundo, fechou os olhos e a primeira imagem que veio em sua mente foi a de Mahir. Estava tão absorta em seus pensamentos que não escutou o barulho da porta.
–Senhora al-Rashid? – uma voz doce, a chamou.
–Sim? – Yoon Hee disse virando-se, se deparando com uma mulher um pouco mais velha que ela, com longos cabelos castanhos e um sorriso franco. – quem é você?
–Meu nome é Mary, sou sua nova empregada – disse sorrindo.
–Empregada?
–Sim. Estarei ao seu dispor, sempre que precisar. Foram as ordens de seu marido.
–Entendi. – sorriu para ela – me chame de Yoon Hee, por favor.
–Como?
–Apenas Yoon Hee.
–Como quiser, Senhora Yoon Hee.
–Esqueça o senhora, apenas Yoon Hee.
–Mas...
–Sem mas.
–Certo – disse por fim. – Vim saber se precisa de alguma coisa.
–Não. Pode ir, qualquer coisa a chamarei.
Mary fez uma pequena reverencia e saiu em seguida. Yoon Hee voltou-se para a paisagem a sua frente e deixou a sua mente vagar, livremente.
***
Mahir colocou o seu paletó preto por cima de sua camisa social branca e fez uma careta ao se olhar no espelho. Ele estava parecendo um boi antes do abate, pensou. Terminou de se arrumar, saiu do palácio, entrou em sua Ferrari e dirigiu ate o hotel, onde se encontraria com o seu pai. Passou pelo saguão a passos lentos, foi em direção ao restaurante e não demorou em encontrar Karim ao lado do Sheik Hashib, sentados em uma mesa.
–Me desculpem a demora – Mahir disse polidamente, sentando-se – o que queria falar comigo, pai?
–Você já tem 25 anos, não é mesmo? Está um belo rapaz – Hashib disse sorrindo.
–Não enrole, quando começa assim é porque não vou aceitar o que quer. Diga de uma vez.
–Como quiser. – respirou fundo antes de prosseguir – hoje uma mulher virá aqui, se encontrar conosco. – ao ver a atenção dele continuou – Ela é uma moça de família, tem 20 anos, é muito prendada, sabe falar quatro línguas, fluentemente. Tem inúmeras qualidades.
–E o que tenho com isso? Não enrole.
–Ela virá aqui para conhecer o seu noivo.
–Noivo? – olhou para Karim e sorriu – parabéns irmão. Sabia que você seria o primeiro a se casar. Parabéns.
–Eu não vou me casar – Karim disse o encarando. – ela será a sua noiva e não minha.
–COMO? – gritou atraindo a atenção de todos no restaurante. – Eu não vou me casar com ela.
–Você irá. Já tive muitos problemas contigo, apenas aceite e viva uma vida feliz – Hashib disse sem paciência.
–Não irei me casar com alguém que não ame.
–Não seja mulherzinha. Sentimentos nascem com o tempo. Faça o que eu digo e viva uma vida feliz ao lado dela.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma Mulher para o Sheik
Não tem continuação essa história?...