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Uma noite, uma vida romance Capítulo 11

GISELE NARRANDO:

Já faz dois meses que minha rotina se transformou em um turbilhão. Trabalho intenso, folga apenas às segundas, e aquela sensação constante de que o tempo nunca foi suficiente.

Rodriguinho, meu pequeno, já se habituou ao horário maluco da mãe. Toda noite, enquanto eu estava no "Bar do Urso", dona Sueli cuidava dele como se fosse dela. Eu sabia que estava em boas mãos, mas isso não aliviava a saudade e a culpa de estar longe dele.

Eu sempre chegava em casa por volta das quatro e meia da manhã, ou às vezes um pouco mais tarde, quando precisavam de mim para fechar o bar.

Passava na casa de dona Sueli, que me esperava com Rodriguinho enrolado em sua coberta e sua pequena bolsa a tiracolo. Ela sempre me entregava aquele olhar compreensivo e um sorriso tranquilo.

— Tá com tudo aqui, Gisele. Ele ficou bonzinho, cochilou a maior parte da noite, mas acordou esperando você — ela me disse, me passando meu pequeno embrulhado.

— Obrigada, dona Sueli — eu sorria, agradecida, mas sempre apressada, tentando não deixar transparecer o cansaço.

Chegando em casa, mesmo exausta, meu primeiro pensamento era fazer Rodriguinho dormir.

Ele sempre ficou meio agitado, como se soubesse que estava fora de casa. Só relaxava quando o colocava no meu colo e balançava devagar até seus olhos se fecharem. Depois de o colocar no berço, eu tomei um banho demorado para tirar o cheiro de cigarro e álcool do bar. Aquele era o momento que eu tinha para mim mesma, mesmo que por poucos minutos. Às vezes comia algo leve, mas na maioria das vezes o cansaço era tão grande que mal conseguia me manter acordada.

Eu acordava por volta das dez ou onze da manhã, dependendo do quanto Rodriguinho me deixava descansar. Não importava o quão exausta eu estava, o sorriso dele era o que me dava forças para seguir em frente. Ele acordava sorrindo, balbuciando, e meu coração se enchia de amor.

Nosso café da manhã era simples, mas sempre feito com carinho. Preparava uma mamadeira de leite para ele e, agora que estava com sete meses, também oferecia frutas amassadas como banana ou mamão, às vezes uma papinha de maçã. Ele comia devagar, brincando com a comida enquanto eu tentava manter a paciência.

Era tudo parte do processo.

CAPÍTULO 11 1

CAPÍTULO 11 2

CAPÍTULO 11 3

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