GISELE NARRANDO:
Já era tarde, e Mieko havia colocado Rodriguinho para dormir no berço no meu quarto. Eu estava agradecida, pois pelo menos sabia que meu filho estava seguro, mas meu coração ainda batia acelerado, preocupada com Duda.
Rodrigo insistiu que conversássemos no quarto dele, e, contra meu próprio instinto, o segui.
Quando passamos pela sala, vi Raphael e alguns seguranças passando um dispositivo grande e preto pelos móveis, quase como se estivessem escaneando o lugar. Aquilo me pareceu estranho, mas Rodrigo parecia calmo, como se tudo estivesse sob controle.
Ele fechou a porta do quarto e começou a inspecionar os espelhos, abaixou-se para conferir embaixo das mesas e até olhou os abajures. Minha mente corria em círculos, tentando entender o que estava acontecendo.
— Rodrigo, o que você está fazendo? Vamos conversar lá na sala — falei, já me dirigindo para a porta.
Mas ele foi mais rápido.
— Não, Gi, vem aqui — ele disse, me puxando gentilmente e me conduzindo para o closet.
Fechou as portas com cuidado, como se não quisesse que ninguém nos ouvisse.
— Você tá agindo como um louco! Eu quero falar com a Duda, ver se ela tá bem — falei, com a preocupação crescendo em mim. Não conseguia tirar da cabeça a imagem dela armada, o medo de que algo terrível pudesse acontecer.
— A Duda está bem. Eu já te disse, minha mãe mandou seguranças seguirem ela. Não se preocupe, Gi — Rodrigo respondeu, mas eu ainda sentia uma ponta de desconfiança.
— Rodrigo, o que tá acontecendo? O que você disse que ia me contar? — Perguntei, cruzando os braços e olhando diretamente nos olhos dele. Eu não estava mais disposta a esperar explicações evasivas.
Ele suspirou, passou as mãos pelo rosto e finalmente começou:
— Primeiro, o Renan quer se vingar por causa do meu envolvimento com a Micaela. Ele tá usando a Duda pra tentar me atingir.
— Meu Deus! Que homem ridículo! Como ele pode ser tão baixo? A Duda não tem nada a ver com a traição de vocês dois! — respondi, sentindo uma mistura de raiva e medo.
— Eu sei. Mas ele está cego de raiva — Rodrigo continuou, claramente preocupado.
— Então ele vai machucar a Duda? — Perguntei, com o coração apertado.
— Ele pode até tentar, mas eu duvido que consiga. A Duda sabe se defender melhor do que você imagina, Gi. Ela sabe lutar, atirar... Ela não é indefesa — ele disse, com a seriedade em seu rosto me deixando atordoada.
Eu não sabia o que dizer. Não fazia ideia de que a Duda tinha esse lado. Era como se eu estivesse descobrindo uma nova dimensão de toda essa história.
— Eu não sabia... — murmurei, ainda processando a informação.
— Tem muitas coisas que você não sabe sobre a minha família, e eu vou te contar tudo, mas você precisa ficar calma. Tudo bem? — Rodrigo disse, tentando me acalmar, mas aquilo só me deixava mais nervosa.
— Você tá me deixando nervosa falando assim! Diz logo! — insisti, com meu estômago revirando.
Ele olhou para mim com uma expressão que eu não conseguia decifrar completamente e perguntou:
— Você já ouviu falar do cartel Rodríguez?
Minha mente voltou instantaneamente para a minha infância, para as ruas da minha antiga vida em Cancun, e também na villa que morei, o tráfico dominava as esquinas, onde o nome do cartel Rodríguez era sussurrado com medo. Claro que eu já tinha ouvido falar. Qualquer um que crescesse no México sabia o que aquele nome significava.
— Já escutei algumas histórias. Você sabe onde eu morava... O que tem? — Perguntei, cruzando os braços, desconfiada.
— Gi, você lembra que eu te falei meu sobrenome? Corleone Rodríguez? — ele disse, me encarando.

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